
Ex-gerente da EVGA revela por que a marca abandonou o mercado de GPUs
Brendon Ray Hedrick, ex-gerente de produtos, diz que a Nvidia obrigava parceiros a vender ao menos um modelo no prejuízo para manter acesso a chips — e ainda competia com eles vendendo placas Founders Edition direto ao consumidor.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que expõe a dependência
Oitenta por cento. Essa era a fatia da receita da EVGA, fabricante americana de placas de vídeo que por quase duas décadas foi uma das parceiras mais tradicionais da Nvidia, que vinha das vendas de GPUs GeForce — segundo dados da Gamers Nexus citados no relato que reacende a discussão sobre por que a marca fechou as portas para esse mercado em 2022.
Quem conta a história de dentro é Brendon Ray Hedrick, ex-gerente de produtos da EVGA, em relato publicado em site pessoal. Segundo ele, o ponto de virada aconteceu a partir de 2016, quando a Nvidia passou a vender diretamente ao consumidor final suas próprias placas "Founders Edition" — ou seja, a fornecedora de chips virou concorrente direta de quem distribuía o produto final.
A régua do prejuízo
Hedrick descreve uma exigência que travava qualquer margem de manobra: para continuar recebendo alocação cheia de chips, a EVGA precisava manter ao menos um modelo de entrada vendido pelo preço sugerido pela própria Nvidia — mesmo quando esse preço gerava prejuízo na venda. Em suas palavras, era um "loss leader" para "manter a Nvidia satisfeita e proteger o acesso aos chips". Descumprir a regra, segundo ele, resultava em corte na alocação e no fornecimento.
Some a isso o sigilo: a Nvidia mantinha especificações de novos produtos escondidas até o último momento e monitorava vazamentos, dificultando o planejamento comercial dos parceiros. O resultado, público desde 2022, foi a saída da EVGA da linha de GPUs — mantendo apenas fontes, gabinetes e outros periféricos.
Quem ganha com isso
O caso não é só nostalgia de entusiasta. Ele ajuda a explicar por que, no lançamento da linha RTX 50 em janeiro de 2025, poucos modelos de parceiros ficaram disponíveis pelo preço sugerido — um padrão que se repete a cada geração e que, na prática, empurra fabricantes menores para fora do negócio enquanto a própria Nvidia consolida a venda direta e o controle do preço final ao consumidor.