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IA20 de out. de 2026, 19:04

Ex-Nvidia e hoje investidora diz que robótica vive sua "era LEGO"

Amulya Vishwanath, que passou quase sete anos na Nvidia, diz à TechCrunch que a robótica ainda monta suas peças básicas antes de qualquer "momento ChatGPT". Ela defende um conceito mais amplo de IA física.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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A analogia da vez

Imagine montar um LEGO. Antes de construir o castelo, você precisa separar as peças certas: blocos de encaixe, dobradiças, rodas. É essa a fase em que está a robótica hoje, segundo Amulya Vishwanath, ex-executiva da Nvidia (fabricante de chips, hoje uma das empresas mais valiosas do mundo por causa da IA) e hoje fundadora de uma gestora de capital de risco focada em IA física.

Em bom português: o que é "IA física"

IA física, ou physical AI, é o nome dado à inteligência artificial que sai da tela e atua no mundo real: braços robóticos, sensores, máquinas de linha de produção. Vishwanath defende uma definição ainda mais ampla, que inclui moléculas, materiais e remédios, não só robôs com pernas e braços.

O momento que ainda não chegou

Muito se fala sobre um "momento ChatGPT" para a robótica, aquele salto repentino de qualidade que o chatbot da OpenAI provocou na percepção pública da IA em 2022. Vishwanath discorda do timing. Para ela, a indústria ainda está montando os blocos fundamentais: atuadores, mãos robóticas, software de base e padrões de segurança. Um modelo de fundação geral e pronto para generalizar, capaz de tornar robótica especializada redundante, ainda não existe.

Os dois lados

De um lado, otimistas apostam que a convergência desses blocos básicos pode acontecer rápido, puxada pelo mesmo tipo de investimento bilionário que turbinou os modelos de linguagem. Do outro, vozes mais cautelosas, como a própria Vishwanath, apontam que hardware físico não escala como software: tem fricção de manufatura, custo de componente, tempo de teste em ambiente real.

O fator humano

Vishwanath aposta que talento será o maior diferencial competitivo entre startups de IA física nos próximos anos, não só capital ou dados. Ela cita a disputa por profissionais com grandes empresas, incluindo a própria Nvidia e a Anthropic, laboratório de IA rival da OpenAI, criador do chatbot Claude, como um dos maiores riscos para quem está começando agora.

O que fica

A aposta dela é que as startups mais interessantes não vão resolver só o robô humanoide genérico, mas problemas específicos: falta de mão de obra e esgotamento de cirurgiões, por exemplo.

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