
Ex-prefeito de Los Angeles vira conselheiro de startup de IA urbana
Eric Garcetti, que comandou Los Angeles e depois foi embaixador dos EUA na Índia, passa a assessorar a Metropolis, dona de um sistema de reconhecimento de placas usado em estacionamentos automáticos nos EUA.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Quem é a Metropolis
A Metropolis é a empresa por trás de estacionamentos sem cancela em várias cidades americanas: câmeras leem a placa do carro na entrada, o pagamento é descontado automaticamente e o motorista sai sem parar em nenhum caixa. Segundo comunicado da própria empresa, a plataforma já atende mais de 50 milhões de clientes por ano, processa acima de US$ 5 bilhões em pagamentos e soma mais de 1 milhão de novos cadastros por mês.
O que Garcetti vai fazer
Eric Garcetti, prefeito de Los Angeles entre 2013 e 2022 e depois embaixador dos EUA na Índia, entra como conselheiro da Metropolis para tratar de parcerias público-privadas, política regulatória e estratégia de infraestrutura urbana, segundo o site Cities Today. Ele integra um grupo de três novos assessores anunciado pela empresa em julho.
Na declaração usada no anúncio, Garcetti diz que governos precisam se enxergar simultaneamente como reguladores, facilitadores e usuários de inteligência artificial — e que cabe às empresas do setor "ouvir antes de vender" quando o cliente é uma prefeitura. Ele cita mais de duas décadas de experiência em governo local como base para esse conselho.
A pergunta que fica pro cidadão
O material divulgado não informa quanto a Metropolis paga a Garcetti nem em quantas cidades fora dos Estados Unidos o sistema já roda. É a lacuna de sempre nesse tipo de acordo: quando uma tecnologia de leitura de placas e cobrança automática passa a operar numa cidade, quem faz a auditoria do contrato e quem garante que os dados de circulação de veículos não viram outro tipo de vigilância?
Cidades que adotaram sistemas parecidos de estacionamento automatizado nos EUA costumam separar a fiscalização de dados do contrato comercial em si — um detalhe que, por enquanto, não aparece nos anúncios sobre a chegada de Garcetti à empresa. Antes de qualquer prefeitura brasileira considerar um acordo semelhante, essa é a pergunta que precisa vir primeiro: quanto custa e quem fiscaliza.