
Ex-sócio de corretora que inspirou 'O Lobo de Wall Street' lança startup para ex-detentos
Richard Bronson, que cumpriu pena federal por fraude de valores mobiliários, criou a Commissary Club, aplicativo com inteligência artificial para ajudar ex-detentos a encontrar emprego, moradia, comunidade e até parceiros para relacionamento.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 70 milhões de pessoas fora do radar do mercado
Richard Bronson foi sócio da Stratton Oakmont, a corretora de Nova York dos anos 1990 que inspirou o filme "O Lobo de Wall Street", de Jordan Belfort. Ele deixou a firma cerca de um ano depois de entrar e montou seu próprio negócio no sul da Flórida, levando pequenas empresas ao mercado de capitais — operação que, segundo ele mesmo admite à TechCrunch, cresceu em parte "quebrando a lei, as leis de valores mobiliários". Indiciado em janeiro de 2002 pelo Ministério Público Federal dos Estados Unidos, Bronson se declarou culpado de fraude de valores mobiliários em outubro de 2003 e cumpriu pena em prisão federal, recebendo sentença mais branda por ter restituído as perdas de clientes lesados.
Agora ele aposta justamente nessa experiência para criar a Commissary Club, startup de Los Angeles batizada com o nome do espaço interno das prisões americanas onde detentos compram itens básicos. O mercado-alvo, segundo a reportagem, é a população de cerca de 70 milhões de americanos com algum tipo de ficha ou antecedente criminal — prisão ou mera detenção sem condenação.
Foto: reprodução/techcrunch.com
O produto e quem ganha com ele
A Commissary Club funciona como uma rede social com inteligência artificial embutida, ajudando ex-detentos a encontrar emprego, moradia, comunidade e até parceiros para relacionamento. "É quase como Facebook", resume Bronson. O cofundador da startup é Roman Kissin, que foi diretor de tecnologia (CTO) da LexisNexis, empresa de dados e informação jurídica, entre 2022 e 2025. O modelo de negócio é freemium: dez candidaturas de emprego grátis, depois pacotes pagos de US$ 149 por dez candidaturas ou US$ 14,99 por candidatura individual.
"Ninguém me contrataria, apesar de toda minha educação e experiência", diz Bronson sobre o motivo que o levou a criar o produto. "Vamos atrás de um mercado enorme que ninguém faz nada", completa.
Quem fica de fora da conta
A reportagem da TechCrunch não traz valor de captação nem data oficial de lançamento da versão atual do produto — que parece ser uma reformulação, com IA, de uma versão anterior da Commissary Club lançada em beta já em 2020, quando a startup chegou a ter apoio da aceleradora Y Combinator em outro projeto anterior de Bronson, a 70 Million Jobs, que havia captado US$ 1,6 milhão. Fica a dúvida sobre quem vai bancar o crescimento dessa nova fase — e se investidores tradicionais do Vale do Silício estão dispostos a apostar em um fundador que carrega, ele mesmo, uma condenação criminal.