
Executiva da Meta na Índia deixa a empresa para liderar Sudeste Asiático na OpenAI
Sandhya Devanathan, que comandava as operações da Meta na Índia e no Sudeste Asiático, migra para a OpenAI em meio ao escrutínio crescente sobre a rede social no país. Ela assume a liderança regional da empresa de IA em Sudeste Asiático e Austrália.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Executiva-chave da Meta na Ásia troca de time
Sandhya Devanathan, até então vice-presidente da Meta para Índia e Sudeste Asiático, deixou a empresa para assumir um posto de liderança na OpenAI. Baseada em Singapura, ela vai supervisionar crescimento de consumidor, adoção empresarial, parcerias e engajamento regulatório no Sudeste Asiático e na Austrália, reportando a Kiran Mani, diretor de operações da OpenAI para a região Ásia-Pacífico.
Devanathan estava na Meta desde 2016, mais de uma década de casa. Antes de comandar Índia e Sudeste Asiático — cargo que assumiu em junho do ano passado —, ela já havia liderado o negócio de jogos da empresa na Ásia-Pacífico. Ao todo, soma mais de 25 anos de experiência em tecnologia e serviços financeiros.
Saída ocorre em meio a escrutínio da Meta na Índia
A mudança de lado acontece justamente quando a Meta enfrenta pressão crescente das autoridades indianas. Em julho, a plataforma restringiu acidentalmente uma publicação do primeiro-ministro Narendra Modi, episódio que aumentou o desgaste com o governo. O caso se soma a preocupações antigas sobre moderação de conteúdo e segurança infantil: a empresa afirma ter removido 160 mil contas na Índia em seis meses por atividade ligada a exploração infantil. Diante do noticiário, o governo indiano convocou executivos da Meta, incluindo o chefe global de assuntos institucionais, Joel Kaplan, para prestar esclarecimentos.
Disputa por talentos acirra corrida da IA generativa na Ásia
A saída de Devanathan não é um caso isolado. Dias antes, Prabhjeet Singh, ex-executivo da Uber, também havia entrado na OpenAI para chefiar as operações da empresa na Índia. Nos últimos dois anos, a OpenAI abriu escritórios em Singapura, Tóquio, Seul, Sydney e Nova Délhi — movimento de expansão que passa por contratar quem já conhece o terreno local, inclusive vindo de rivais.
Para o mercado, o sinal é claro: a OpenAI está disposta a pagar o preço de tirar executivos seniores de gigantes como a Meta para acelerar sua presença em mercados de mais de 600 milhões de pessoas. Enquanto isso, a Meta perde não só uma liderança regional experiente, mas também parte do capital de relacionamento construído com reguladores e parceiros justamente na hora em que mais precisa dele.