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Segurança04 de set. de 2026, 16:57

Exército dos EUA desliga rastreamento de anúncios nos celulares das tropas

Após relatos de que adversários estrangeiros usaram dados de localização comprados no mercado para mirar tropas no Oriente Médio, as Forças Armadas americanas desativaram o rastreamento publicitário em milhões de dispositivos oficiais.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos confirmou, em carta enviada ao senador democrata Ron Wyden, que Exército, Força Aérea, Marinha, Corpo de Fuzileiros Navais e o Comando de Operações Especiais desativaram o identificador de publicidade — o código usado por aplicativos e anunciantes para rastrear o comportamento de um usuário — em iPhones, aparelhos Android e computadores Windows gerenciados pela rede corporativa militar federal. A medida havia sido cobrada por Wyden, membro sênior da Comissão de Inteligência do Senado, depois que ele apurou que adversários estrangeiros não identificados usaram dados de localização obtidos comercialmente — ou seja, comprados de corretoras de dados que revendem informações coletadas por apps comuns — para mirar tropas americanas no Oriente Médio.

Quem é afetado

A implementação varia por força militar. O Exército já bloqueava identificadores de publicidade em computadores Windows desde antes de 2021, e passou a desativá-los por padrão em aparelhos Android e Apple desde pelo menos fevereiro de 2026. A Força Aérea, por sua vez, só implementou a mudança em julho deste ano. A lógica técnica da defesa é simples: ao desativar o identificador em massa, os dados de localização de um militar específico se misturam ao de milhões de outros usuários que tiveram o mesmo identificador desligado, dificultando a triangulação de um alvo individual a partir de bancos de dados comerciais.

O que fazer agora

Apesar da medida, Wyden alertou que a proteção tem um limite claro: ela vale para dispositivos institucionais, não para os aparelhos pessoais que militares e contratados costumam levar para dentro de bases — e que continuam vulneráveis ao mesmo tipo de rastreamento comercial. Entre as recomendações que se depreendem do próprio alerta do senador:

  • Famílias e contratados de militares devem revisar as configurações de privacidade de anúncios em celulares pessoais, especialmente antes de viagens a áreas de risco;
  • Comandos militares precisam estender política semelhante a dispositivos pessoais usados dentro de instalações sensíveis, algo que ainda não está garantido;
  • Órgãos de defesa de outros países que compartilham bases ou operações conjuntas com os EUA devem avaliar exposição similar via corretoras de dados comerciais;
  • Usuários civis em geral podem, desde já, desativar o identificador de publicidade nas configurações de privacidade do próprio smartphone, prática recomendada mesmo fora de contexto militar.
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