
Exército dos EUA testa celulares como centro de comando em batalha
Programa Next Generation Command and Control (NGC2) já recebeu pedido de US$ 3,8 bilhões para 2027 e prevê cobrir todo o Exército até 2032.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
Celular como ferramenta de guerra
O Exército dos Estados Unidos está testando smartphones como peça central de um novo sistema de comando. O programa se chama Next Generation Command and Control, ou NGC2. A ideia é simples: cada soldado carrega um aparelho que mostra em tempo real a posição da própria tropa e das unidades vizinhas.
Os celulares se conectam a rádios com Wi-Fi, que formam redes móveis no campo e transmitem dados para headsets. O sistema também recebe informações de drones, sensores e, em alguns casos, da Starshield, a versão militar da rede de internet via satélite Starlink, operada pela SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk.
Mais de 80 empresas envolvidas
O NGC2 reúne mais de 80 fornecedores. Entre eles está a Lockheed Martin, uma das maiores fabricantes de equipamentos de defesa dos Estados Unidos, responsável por terminais de internet via satélite instalados em veículos blindados. Outras empresas fornecem sistemas que cruzam dados de armas e sensores diferentes.
O pedido de orçamento para o ano fiscal de 2027 é de US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 20,4 bilhões). O valor total do programa não foi divulgado.
Nem tudo funciona ainda
Testes recentes mostraram falhas. Aparelhos sobreaqueceram em temperaturas de 32°C. Houve perda de comunicação durante operações simuladas. Mesmo assim, o Exército afirma que o sistema está "pronto para escalar" após um ciclo de dez meses de prototipagem encerrado em um exercício conjunto em Fort Irwin, na Califórnia, em julho.
Próximos passos
Em outubro, o programa teve sua primeira demonstração completa durante um exercício militar na Indonésia. A meta é equipar todos os 450 mil soldados ativos do Exército americano até 2032, começando pelo I Corps, uma das maiores unidades de combate do país.