
Exército dos EUA usa laser de 20 kW pela primeira vez para abater drones
Sistema AMP-HEL, ainda em fase de testes, derrubou três drones ligados a cartéis na fronteira dos EUA com o México. É a primeira vez que a arma de energia dirigida é usada em operação real contra alvos suspeitos de cartéis.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Um laser de 20 quilowatts é, grosso modo, potência suficiente para fritar em segundos a eletrônica de um drone comercial pequeno — algo como manter ligados, ao mesmo tempo, mais de 100 chuveiros elétricos apontados para um único ponto do céu. Foi essa arma que o Exército dos Estados Unidos usou, pela primeira vez em uma operação real, para abater três drones na fronteira com o México.
O que está confirmado
Foto: reprodução/dronexl.co
Segundo o Comando Norte dos EUA (NORTHCOM) e reportagens do setor de defesa, soldados da Joint Task Force-Southern Border dispararam o sistema AMP-HEL (Army Multipurpose High Energy Laser) na noite de 25 para 26 de agosto de 2026, na região do Rio Grande Valley, no sul do Texas. Os três drones abatidos foram descritos pelas Forças Armadas como ligados a cartéis e como ameaça física a militares americanos e a agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
O AMP-HEL é classificado como um laser de classe 20 kW, projetado para neutralizar drones pequenos — quadricópteros e aeronaves não tripuladas de asa fixa dos chamados Grupos 1 e 2, as categorias mais leves dessa classificação militar. O sistema está sendo integrado a um veículo Infantry Squad Vehicle, com previsão de entrega de quatro protótipos para dar mobilidade tática à capacidade de contra-drones.
Nem o governo dos Estados Unidos nem o do México confirmaram publicamente em que espaço aéreo exato os drones caíram — um detalhe que ambos os países têm interesse em manter impreciso, já que qualquer ação unilateral americana em território mexicano seria tratada pela presidente Claudia Sheinbaum como violação de soberania.
O que é hipótese
Ainda não há confirmação oficial de que o abate marca o início do uso permanente do AMP-HEL na fronteira — trata-se, por ora, de um teste operacional pontual, ainda que bem-sucedido. Também não está claro se os três drones eram de fato operados por organizações criminosas específicas ou apenas suspeitos de vínculo com cartéis, classificação baseada em inteligência militar ainda não detalhada publicamente.
Vale lembrar que o programa de lasers do Exército não vinha de um histórico impecável: em fevereiro deste ano, um sistema semelhante já havia feito manchete por abater o drone errado e paralisar o espaço aéreo de um aeroporto comercial. O sucesso de agora é visto pelo próprio Exército como uma virada de página — mas ainda isolada — para as chamadas armas de energia dirigida.