
F-Droid ganha maior atualização em uma década, com nova cara e instalação mais rápida
O F-Droid, loja alternativa de apps de código aberto para Android, lançou a versão 2.0 com interface reconstruída em Kotlin Compose e instalador unificado que deixa a instalação de apps mais parecida com a da Google Play Store.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Dez anos de espera acabaram
O F-Droid, loja de aplicativos alternativa para Android dedicada a software livre e sem rastreadores ocultos, sempre foi sinônimo de funcionalidade sobre estética: cumpria bem o papel de dar acesso a apps de código aberto, mas a interface parecia congelada no tempo. Isso mudou com o F-Droid 2.0, anunciado em 24 de setembro como a maior atualização da década — o projeto foi reconstruído do zero, usando Kotlin e Jetpack Compose, o padrão atual de desenvolvimento Android, depois de mais de um ano de trabalho e 14 versões de teste.
A cara nova é a mudança mais visível: a barra de navegação, que tinha cinco ícones, caiu para três — Discover, Search e My Apps —, seguindo os padrões de Material Design. A tela de descoberta agora destaca os apps mais baixados de todo o repositório junto com categorias redesenhadas e ampliadas, e a busca passou a considerar também a descrição dos aplicativos, não só o nome, com novos filtros disponíveis.
Instalação que finge ser Play Store
A parte mais técnica da atualização é também a mais relevante no dia a dia: o F-Droid passou a usar um instalador unificado para todas as instalações, seja no app baixado manualmente, seja em versões embutidas no sistema. Isso só foi possível porque o Android abriu, para qualquer loja de apps, opções de instalação e atualização mais automáticas — mudança que o próprio projeto credita à pressão da Digital Markets Act da União Europeia e a ações antitruste em outras partes do mundo. Na prática, atualizações agora acontecem automaticamente por padrão, sem a fricção de precisar reabrir o app e confirmar cada update manualmente, como era antes.
Vale a atualização?
Para quem já usa o F-Droid por convicção de privacidade e software livre, a resposta é sim sem ressalva: a versão 2.0 corrige o maior ponto fraco histórico do projeto, que era a experiência de uso capenga perto de lojas comerciais, sem abrir mão da proposta original de apps livres de rastreadores e sem exigência de conta. O rollout está sendo feito de forma gradual, ao longo de duas semanas, então nem todo mundo vai ver a novidade no mesmo dia — mas quem instalar a versão mais recente já sente a diferença na primeira abertura do app.