
Fã descompila Halo clássico e leva Master Chief ao 3DS e ao navegador
Projeto de descompilação não oficial do código do Xbox permitiu portar Halo: Combat Evolved para o New Nintendo 3DS e criar uma versão web com multiplayer para 128 jogadores.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Um projeto que não devia existir — mas existe
Halo: Combat Evolved rodando num New Nintendo 3DS parece piada, mas é real. O desenvolvedor independente conhecido como Generalkidd, nome conhecido na cena de mods do clássico de tiro em primeira pessoa, anunciou nesta semana uma versão nativa do jogo para o portátil da Nintendo — sem qualquer vínculo oficial com a Microsoft ou a 343 Industries, estúdio responsável pela franquia Halo.
O port só foi possível graças a um projeto de descompilação do código original do Xbox, apelidado de "Halo CE decomp", que reconstrói o jogo peça por peça a partir do executável. "Muitos projetos legais saíram dessa descompilação! Aqui está Halo CE no New Nintendo 3DS! Muitas concessões, mas funciona melhor do que eu esperava!", escreveu Generalkidd ao anunciar o port.
Foto: reprodução/pcgamer.com
O que funciona (e o que ainda não)
No 3DS, a campanha roda entre 20 e 30 quadros por segundo, com multiplayer local, efeito 3D nativo do aparelho, áudio completo e até a segunda tela usada como radar — um toque que faz sentido para quem lembra dos primeiros shooters portáteis. O que ainda falta: multiplayer online e uma lista de bugs que o próprio criador reconhece.
A mesma onda de descompilação gerou outro efeito colateral: uma versão do jogo rodando direto no navegador, liderada pelo desenvolvedor Mitchell Hynes, com suporte a até 128 jogadores simultâneos — oito vezes mais que o limite de 16 do Xbox original. Em cinco horas no ar, a versão web somou cerca de 20 mil sessões em 115 países.
O que isso diz sobre a comunidade
Para quem acompanha a cena de preservação de jogos antigos, o caso reforça um padrão: quando uma desenvolvedora não investe em oficializar o acesso a um clássico, é a comunidade de fãs que acaba fazendo esse trabalho — às vezes melhor do que qualquer remaster pago. Resta saber se a Microsoft vai deixar o projeto no ar ou mandar tirar do ar, como já aconteceu com outros ports não oficiais no passado.