
Fã roda Super Mario 64 num Super Nintendo original usando chip Super FX
O projeto batizado de Super Mario FX, do canal Game of Tobi, recria cenários e animações do clássico de 1996 do Nintendo 64 dentro do hardware de 36 anos do SNES — mas ainda não tem data de lançamento pública.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Uma gambiarra de respeito
Rodar Super Mario 64 — um dos jogos que definiu o 3D nos videogames, lançado em 1996 para o Nintendo 64 — dentro de um Super Nintendo, console de geração anterior e tecnicamente incapaz de processar gráficos 3D nativos, soa impossível. Mas é exatamente isso que o criador por trás do canal Game of Tobi, no YouTube, conseguiu fazer, batizando o projeto de Super Mario FX.
O truque está no Super FX, um chip coprocessador de gráficos que a própria Nintendo colocava dentro de alguns cartuchos de SNES nos anos 1990 para turbinar jogos como Star Fox — sem ele, o console de 36 anos simplesmente não teria potência para desenhar nada parecido com 3D. Tobi não emulou o N64 dentro do SNES: construiu um motor gráfico próprio, do zero, que reaproveita assets originais do jogo — incluindo as animações do próprio Mario — para reconstruir os cenários rodando em hardware de verdade, sem emulador, direto num cartucho flash compatível com o chip.
Foto: reprodução/xda-developers.com
O que já funciona (e o que ainda trava)
Duas áreas do jogo original já estão de pé e jogáveis: o Castelo da Peach e o Bob-omb Battlefield, com cenários e mecânica de movimento fiéis ao original — os gráficos foram adaptados para caber na limitação técnica, mas a jogabilidade segue reconhecível. O maior entrave, segundo o próprio criador, é armazenamento: as fases precisaram ser espremidas para caber em apenas 2 MB, um teto que o SNES nunca foi pensado para superar.
Por enquanto, é só para admirar
Diferente de projetos de emulação que viram download no dia seguinte ao anúncio, o Super Mario FX ainda não tem lançamento público — Tobi quer garantir desempenho aceitável antes de liberar qualquer arquivo para a comunidade de retrogaming, que já acompanha o projeto de perto nos comentários do canal. Para quem cresceu jogando em SNES original, é a prova de que a comunidade de modding ainda encontra fôlego técnico em consoles que a própria Nintendo parou de vender há décadas.