tech & talk
Mercado06 de nov. de 2026, 07:46

Fábrica da Land Rover em Itatiaia pode virar base da Chery no Brasil

Com a saída da Jaguar Land Rover, a chinesa Chery negocia assumir a planta no RJ e quase quadruplicar a capacidade, de 24 mil para 87 mil veículos por ano, usando incentivos fiscais que a montadora britânica deixaria na mesa.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

87 mil carros por ano: o salto que a Chery quer dar em Itatiaia

O número que resume a negociação é esse: 87 mil veículos por ano. É quase quatro vezes a capacidade original da fábrica de Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro, projetada em 2016 para produzir 24 mil unidades anuais. A planta foi a primeira unidade da Jaguar Land Rover fora do Reino Unido e a única da marca na América Latina — um símbolo que agora corre o risco de virar propriedade de um grupo chinês.

Por que a JLR foi embora

Foto: reprodução/tmc.com.br

A Jaguar Land Rover, fabricante britânica de carros de luxo controlada pela indiana Tata Motors, encerrou a produção local dos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque há cerca de quatro meses, fechando um ciclo de dez anos de operação no Brasil. A decisão acompanha um movimento mais amplo da marca de revisar sua presença fora dos mercados centrais, num momento em que o custo de manter linhas de montagem pequenas em geografias distantes perdeu sentido frente à concorrência de fabricantes chineses com escala muito maior.

A entrada da Chery

Foto: reprodução/gurudoscarros.com.br

A Chery, fabricante chinesa de automóveis que vem expandindo agressivamente sua presença no Brasil, negocia assumir a planta para instalar ali a produção das marcas Omoda & Jaecoo — operação independente da parceria que o grupo mantém com a Caoa desde 2017 para fabricar a linha Tiggo em Anápolis (GO). O plano prevê migrar o processo de montagem do modelo SKD, mais simples, para o CKD, que agrega maior complexidade e mais valor regional, além de abrir espaço para produzir também modelos das marcas Lepas e, no futuro, iCaur.

Quem ganha e quem perde

O governo do Rio de Janeiro já confirmou que uma eventual sucessora pode herdar os benefícios tributários concedidos à JLR, desde que cumpra exigências legais e assuma novas contrapartidas contratuais. Entre os incentivos em jogo estão uma linha de crédito de R$ 629 milhões vinculada ao programa estadual RioInvest, diferimento de ICMS e benefícios municipais como isenção de IPTU, isenção de ITBI e redução de ISS — um pacote que ajuda a explicar o apetite chinês pela planta fluminense.

No meio dessa engrenagem estão os cerca de 380 funcionários que seguem contratados com remuneração integral, hoje em programas de requalificação técnica e pós-graduação enquanto a transição não se fecha. A preservação desses empregos qualificados é apontada como a principal prioridade das autoridades regionais, que veem na chegada da Chery uma forma de evitar o esvaziamento do polo industrial de Itatiaia. Para o Rio de Janeiro, destravar o negócio significa manter investimento e arrecadação na região; para a Jaguar Land Rover, é a saída organizada de um mercado que deixou de ser estratégico; e para a Chery, a oportunidade de herdar infraestrutura e benefícios fiscais sem começar do zero.

cheryjaguar land roveritatiaiaincentivos fiscaisindústria automotiva
Compartilhar