
Fabricar 100% da tecnologia nos EUA custaria US$ 230 bilhões, calcula associação
A CTA (Consumer Technology Association) estima que forçar a produção totalmente americana de dez categorias de eletrônicos exigiria US$ 230 bilhões e 668 mil novos trabalhadores, encarecendo produtos em até 55%.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 230 bilhões é o preço da autossuficiência tecnológica
A CTA (Consumer Technology Association, associação que representa o setor de tecnologia de consumo nos Estados Unidos) colocou números na conta da política de Donald Trump que pressiona empresas a fabricar 100% de seus produtos em solo americano. O resultado: produzir integralmente em território americano dez categorias de eletrônicos de consumo custaria até US$ 230 bilhões e exigiria 668 mil novos trabalhadores.
O que está sendo medido
O levantamento, publicado em 7 de outubro e baseado nas tarifas em vigor desde setembro, cobre categorias como monitores de computador, notebooks, robôs aspiradores, caixas de som inteligentes, smartphones, smartwatches, televisores, videogames, fones de ouvido sem fio e earbuds. Produção totalmente doméstica, no cálculo da CTA, significa montar o produto nos EUA com componentes também de origem 100% americana — sem peças importadas de nenhum elo da cadeia.
Quanto o consumidor pagaria
Segundo a CTA, essa reconfiguração completa da cadeia de suprimentos elevaria o preço médio de varejo em até 55% nessas categorias. É o contraponto direto ao discurso de reindustrialização: trazer a fabricação de volta para os EUA tem um preço que recai diretamente sobre o bolso de quem compra celular, notebook ou TV.
Quem fala e quem é afetado
Gary Shapiro, presidente do conselho executivo da CTA, é a voz por trás do relatório, que soma-se a uma série de análises da entidade sobre o impacto das tarifas de Trump no setor — a associação já havia estimado anteriormente custos mensais de US$ 1 bilhão ligados a tarifas sobre tecnologia. Fabricantes de hardware que dependem de cadeias globais — de componentes eletrônicos a baterias — são os mais expostos ao risco de ruptura de produção e alta de preços caso as regras de localização sejam endurecidas.
Quem ganha, quem perde
No discurso oficial, a Casa Branca aposta em trazer empregos industriais de volta ao país. Mas o cálculo da CTA sugere que, no curto prazo, quem perde é o consumidor americano, pressionado por preços mais altos, e as próprias empresas de tecnologia, obrigadas a redesenhar cadeias de suprimento inteiras. Quem ganha, se a política avançar, são fabricantes e fornecedores domésticos que conseguirem captar os investimentos de relocalização — ainda que à custa de bilhões em subsídios e tempo de adaptação.