
Falcon 9 tem scrub raro enquanto Vulcan se prepara para voar
SpaceX cancela lançamento da Space Development Agency nos segundos finais da contagem; Vulcan, da ULA, deve retomar voos com satélites da Amazon até 29 de outubro.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: 58 segundos
Pra escala humana: 58 segundos antes da decolagem é tempo suficiente pra um computador de bordo abortar um lançamento inteiro — e foi exatamente isso que aconteceu com um Falcon 9 da SpaceX em outubro, ao tentar colocar em órbita 21 satélites de transporte de dados da Space Development Agency (SDA), agência do governo americano ligada à defesa, a partir da base de Vandenberg, na Califórnia.
O que está confirmado
Foto: reprodução/teslanorth.com
O cancelamento (scrub, no jargão aeroespacial) é raro justamente porque o Falcon 9 é o foguete mais voado do mundo, com um histórico de confiabilidade que a SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, repete lançamento após lançamento. Os computadores detectaram uma leitura fora dos limites aceitáveis nos instantes finais da contagem e interromperam o processo automaticamente. A SpaceX confirmou que o foguete, seus componentes e a carga útil permaneceram intactos — mas não divulgou publicamente qual sistema específico gerou o alerta.
O que ainda é hipótese
Não há confirmação pública da causa raiz do problema, nem uma nova data de lançamento divulgada para essa missão da SDA no momento da apuração. O que se sabe é o efeito prático: atrasos como esse comprimem a margem financeira de operadores de satélite, que dependem do cronograma para começar a gerar receita com os equipamentos em órbita.
Foto: reprodução/yahoo.com
A folga que isso abre para o Vulcan
Enquanto isso, a United Launch Alliance (ULA) — joint venture entre as fabricantes Boeing e Lockheed Martin — se prepara para devolver seu foguete Vulcan Centaur aos voos, com uma missão para a Amazon (carregando os primeiros satélites da constelação Leo) marcada para não antes de 29 de outubro. O retorno encerra uma pausa iniciada em fevereiro, quando um problema no booster de combustível sólido levou a ULA a suspender lançamentos para investigação.
O estudo de caso é o mercado, não um paper
A disputa aqui não é científica, é de cadeia de suprimentos espacial: o Vulcan tenta se firmar como "segunda fonte" de acesso ao espaço — uma alternativa ao Falcon 9 para operadores que querem resiliência geopolítica, não só preço baixo. Isso exige que a ULA emende cinco lançamentos consecutivos sem falhas, uma régua que a própria empresa ainda precisa cumprir. O scrub raro da SpaceX, por coincidência, abriu justamente a janela de atenção que o Vulcan precisa para tentar provar que merece a segunda vaga.