
Falência da Oi deixa 13 mil lotéricas da Caixa sem prazo de troca
Cerca de 13 mil lotéricas da Caixa Econômica Federal dependem da rede da Oi, mesmo após a operadora ter a falência confirmada pela Justiça. Não há prazo definido para a troca de fornecedor.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
Treze mil. É esse o total de casas lotéricas da Caixa Econômica Federal espalhadas pelo país que ainda dependem da rede da Oi pra funcionar — mesmo com a operadora oficialmente falida. A Caixa mantém 14 contratos de conectividade com a empresa, usados para autorizar saques, depósitos, apostas e pagamento de benefícios como Bolsa Família e aposentadorias do INSS nos terminais.
Em 25 de agosto, a 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou por unanimidade a falência da Oi, rejeitando recursos de credores como Itaú Unibanco, Bradesco, UM Bank e V.tal. A decisão original, de novembro de 2025, converteu a recuperação judicial em falência depois que a dívida da operadora chegou a R$ 44,3 bilhões, contra um patrimônio líquido negativo de R$ 22,6 bilhões.
Foto: reprodução/forbes.com.br
Quem ganha e quem perde
O tribunal determinou que serviços essenciais — lotéricas, linhas de emergência 190, 192 e 193 — continuem operando enquanto não houver substituto viável. Na prática, isso empurra o problema pra frente sem resolvê-lo: a Caixa disse, em nota, que os serviços seguem "na forma definida" pelo TJ-RJ "até que haja possibilidade técnica" de trocar de operadora — sem data.
O risco é real. No início de agosto, a fornecedora Sitelbra cortou conexão com a Oi por atraso de pagamento, derrubando o serviço em 70 unidades lotéricas espalhadas por 18 estados. A Oi já demitiu cerca de mil funcionários e segue sem pagar fornecedores, mesmo estando judicialmente obrigada a manter a rede essencial no ar. A exposição vai além das lotéricas: a mesma infraestrutura da Oi sustenta ainda o controle de tráfego aéreo, câmeras de segurança pública na Bahia e circuitos da Enel no Ceará.
O que ainda falta
Não há, até agora, um plano de contingência detalhado divulgado publicamente pela Caixa — nem uma licitação anunciada para substituir a Oi nas lotéricas. Enquanto isso, o banco público segue refém de uma operadora sem caixa pra manter sua própria rede em pé.