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Segurança15 de out. de 2026, 10:11

Falência do Character.AI põe dados de conversas de usuários em risco

40 procuradores-gerais dos EUA pedem que a Justiça proteja dados de menores e adultos antes de qualquer venda dos ativos do chatbot, que soma 163 milhões de usuários.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O Character.AI, plataforma de chatbots de companhia por inteligência artificial com cerca de 163 milhões de usuários acumulados e 20 milhões de usuários mensais ativos, entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) no tribunal de falências de Delaware, nos Estados Unidos, em outubro. A empresa cita custos operacionais altos e uma onda de processos judiciais — incluindo ações de famílias que ligam o chatbot a casos de suicídio e automutilação entre adolescentes, como o de um menino de 14 anos na Flórida — como motivos da crise.

Dias antes da falência, a Disney já havia topado pagar US$ 20 milhões por uma licença de uso não exclusiva da tecnologia da empresa; em 2024, o próprio Google havia pago US$ 2,7 bilhões por um acordo de licenciamento parecido, num negócio que reduziu drasticamente o caixa e o valor de mercado do Character.AI, hoje às voltas com um valor muito menor que os US$ 2,5 bilhões em que já foi avaliado.

Foto: reprodução/cnbc.com

Quem é afetado

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, conduz desde 2024 uma investigação multi-estadual sobre práticas de proteção ao consumidor e de menores na plataforma — de verificação de idade frágil a chatbots que se apresentavam como terapeutas licenciados. Agora, ela lidera um grupo de 40 procuradores-gerais, de ambos os espectros políticos, que apresentaram ao tribunal de falências um pedido formal para que qualquer comprador dos ativos da empresa seja obrigado a manter proteções de privacidade sobre as conversas dos usuários — boa parte delas contendo relatos íntimos sobre saúde mental e relacionamentos, inclusive de adolescentes.

O risco concreto: a empresa argumentou no processo que seus próprios usuários não são “credores” da falência, o que reduz o peso legal dos interesses deles nas decisões sobre o destino desses dados.

O que fazer agora

  • Quem usa o Character.AI ou aplicativos parecidos deve revisar o histórico de conversas e excluir manualmente o que considerar sensível, já que a política de privacidade pode mudar com a venda da empresa;
  • Pais de adolescentes que usam chatbots de companhia devem redobrar a supervisão, dado o histórico de processos envolvendo menores nessa plataforma;
  • Acompanhar o desfecho do processo de falência é importante: a decisão do tribunal sobre o pedido dos procuradores-gerais pode se tornar referência para outras falências de empresas de IA que acumulam dados sensíveis.
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