
Falha no ChatGPT expunha conversas privadas em 4,5 segundos
Pesquisadores da empresa de segurança cibernética Parameter descobriram uma falha que permitia acessar conversas, arquivos e dados de conta do ChatGPT com um único clique. A OpenAI corrigiu o problema e pagou US$ 5 mil de recompensa.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Pesquisadores da Parameter, empresa de segurança cibernética especializada em testes de vulnerabilidade, encontraram uma falha na versão web do ChatGPT que permitia invasores acessarem conversas privadas, arquivos enviados e dados da conta da vítima em apenas 4,5 segundos após um clique em um link malicioso.
O problema estava ligado à biblioteca de código aberto MathLive, usada pelo ChatGPT para exibir conteúdo matemático em conversas compartilhadas. O teclado virtual da biblioteca aceitava mensagens de qualquer janela sem validação adequada, o que abria espaço para injeção de código. Os atacantes também usavam uma resposta da plataforma YouTube como intermediária para contornar as proteções de segurança do navegador.
Foto: reprodução/notebookcheck.net
Com a falha, era possível listar todas as conversas da vítima, abrir chats que nunca haviam sido compartilhados e enviar esse conteúdo para um servidor externo. Por meio das APIs internas do ChatGPT, o código malicioso também conseguia agir em nome do usuário, o que caracterizava uma tomada de conta.
Quem é afetado
A vulnerabilidade atingia usuários da versão web do ChatGPT que abrissem um link de compartilhamento malicioso. Em uma das variantes do ataque, bastava clicar no link para que o código fosse executado automaticamente; em outra, era necessário também apertar o botão de pré-visualização.
A Parameter reportou a falha à OpenAI em 18 de outubro pelo programa de recompensas por bugs. A gravidade do caso foi elevada de P2 para P1, nível de prioridade máxima, e a correção foi aplicada entre 22 e 26 de outubro em ambas as versões do ChatGPT web. A OpenAI pagou US$ 5 mil aos pesquisadores pela descoberta.
Segundo a empresa, não há indícios de que a falha tenha sido explorada contra usuários comuns antes da correção.
O que fazer agora
Como o problema já foi corrigido pela OpenAI e pela equipe da MathLive, que lançou uma versão atualizada da biblioteca, usuários não precisam trocar senhas ou tomar providências emergenciais.
Ainda assim, a recomendação de sempre é evitar clicar em links de compartilhamento de IA recebidos de fontes desconhecidas e revisar periodicamente o histórico de conversas e as configurações de conta em serviços como o ChatGPT, já que falhas desse tipo tendem a se repetir em plataformas que combinam conteúdo externo incorporado com sessões autenticadas.