
Falha no Meta Muse expõe conversas e segredos pessoais de usuários
Uma pesquisa de segurança encontrou milhares de links de conversas compartilhadas no assistente de IA Meta Muse, revelando dados financeiros, trabalhistas e pessoais sensíveis.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O Meta Muse, assistente de inteligência artificial da Meta, está expondo conversas privadas de usuários que foram compartilhadas por link, segundo pesquisa da empresa de segurança Claroc divulgada pelo site Ars Technica. Quando alguém compartilha uma conversa com o Muse, o sistema cria um endereço web combinando o título da conversa com um código de identificação, hospedado no domínio cf.metaaiusercontent.com.
O problema é que, ao abrir esse link, o navegador do usuário consulta o endereço na internet, e esse tipo de consulta pode ser registrado e indexado por provedores de "DNS passivo" — serviços que arquivam publicamente esse tipo de tráfego. Usando essa técnica, pesquisadores da Claroc conseguiram localizar 6.800 links de conversas compartilhadas do Muse com apenas uma única busca.
Ao abrir algumas centenas desses links, os pesquisadores encontraram conteúdo sensível: solicitações de empréstimo com valores pedidos, um alerta de fraude bancária com número parcial de conta, uma revisão interna de receita de uma empresa de marketing marcada para o CEO, anotações de um candidato para uma ligação confidencial de recrutamento executivo citando um contato interno de um laboratório de inteligência artificial, cálculos de retorno de investimento imobiliário e até o calendário de férias de uma equipe inteira.
Quem é afetado
Qualquer usuário que tenha usado a função de compartilhar conversas no Meta Muse está potencialmente exposto, incluindo profissionais que discutiram informações de trabalho, finanças pessoais ou dados de clientes com o assistente de IA acreditando que o link teria algum nível de privacidade. Empresas cujos funcionários usaram o Muse para tarefas internas também correm risco, já que documentos financeiros e de recursos humanos foram encontrados entre os links expostos.
O que fazer agora
- Evite compartilhar links de conversas do Meta Muse que contenham dados financeiros, de clientes ou informações internas da empresa
- Revise se você já compartilhou conversas sensíveis e, se possível, exclua ou desative esses links nas configurações do app
- Nunca insira números completos de conta, CPF, senhas ou dados de cartão em conversas com assistentes de IA, mesmo que não pretenda compartilhá-las
- Oriente equipes de trabalho a não usar assistentes de IA generativos para discutir informações confidenciais da empresa
- Acompanhe se a Meta vai alterar o método de geração desses links para impedir que sejam descobertos por buscas externas
Atualização (20/10, 18:47): A Meta pausou o recurso que permite compartilhar conversas com o assistente de IA Muse depois que pesquisadores encontraram milhares de links dessas conversas publicamente acessíveis na web. Segundo a Ars Technica, a empresa de segurança Claroc identificou mais de 6.800 links de chats compartilhados do Muse por meio de registros públicos de DNS — cada conversa compartilhada passa a existir em um subdomínio próprio de cf.metaaiusercontent.com, cujo nome é formado pelo título da conversa somado a uma string aleatória, o que tornou possível enumerar e acessar as páginas sem qualquer tipo de invasão ou quebra de senha.
A Claroc reportou a falha ao programa de recompensas por bugs da Meta em 8 de outubro, e a empresa confirmou à Ars Technica que suspendeu o recurso de compartilhamento do Muse após ser questionada sobre as descobertas, afirmando que está avaliando mudanças antes de reativá-lo.
Atualização (21/10, 12:54): A empresa de segurança digital Claroc foi quem descobriu a falha no Muse, agente de IA da Meta, localizando quase 7 mil links (6.800, segundo o levantamento) de conversas expostas publicamente — bastou uma única consulta a bases de DNS passivo disponíveis comercialmente para encontrar os endereços, hospedados no domínio público cf.metaaiusercontent.com. Entre o conteúdo sensível identificado estavam contratos com nomes e valores, além de planilhas e calendários internos de empresas reais, expondo informações financeiras pessoais e documentos corporativos.
A Claroc notificou a Meta em 8 de outubro, mas a falha continuou ativa: os pesquisadores afirmam ter acessado novamente o material em 18 de outubro e ainda encontrado novas URLs de conversas expostas. A Meta só confirmou a suspensão de novos compartilhamentos do recurso na terça-feira (20/10), depois de ser questionada pelo site Ars Technica — ou seja, a vulnerabilidade ficou exposta por pelo menos 12 dias após o alerta inicial.