
FBI diz que espião acusado na OpenAI tinha pasta 'Saudi Gov Docs'
Engenheiro saudita presa nos EUA é acusado de instalar escuta em sala de reunião da OpenAI. Investigadores dizem que ele acessou documentos sobre o governo saudita antes da prisão.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
Engenheiro é preso por instalar escuta na OpenAI
O FBI prendeu em 9 de outubro o engenheiro saudita Abdulrahman Alfozan, 35 anos, em San Francisco. Ele é acusado de instalar um dispositivo de escuta numa sala de reunião executiva da OpenAI. Alfozan trabalhava na empresa desde julho de 2025.
O que o FBI encontrou
Segundo os promotores, o dispositivo foi colocado numa porta USB de uma TV por volta de 28 de setembro. Um segundo aparelho semelhante foi achado em 16 de setembro, dentro de uma bolsa deixada por Alfozan em outra sala. A bolsa continha também carteira e documentos de identidade dele.
A pasta 'Saudi Gov Docs'
Investigadores afirmam que Alfozan acessou uma pasta interna chamada "Saudi Gov Docs" em 4 de outubro. Ele também usou uma ferramenta de IA da própria OpenAI para buscar informações sobre negociações com o Ministério de Comunicações e Tecnologia da Informação da Arábia Saudita. Por cerca de um mês, até 16 de setembro, ele também consultou calendários e recursos de salas de reunião pelo mesmo tipo de ferramenta.
Contato com a família real saudita
Promotores dizem que Alfozan trocava mensagens frequentes por WhatsApp com um membro da família real saudita. Essa pessoa teria tentado recrutá-lo para uma iniciativa de inteligência artificial e perguntado repetidamente quando ele deixaria a OpenAI.
Acusação e detenção
Alfozan responde por uso de dispositivo para interceptar comunicações orais. A pena prevista é de até cinco anos de prisão e multa de US$ 250 mil. Em 19 de outubro, o juiz federal Alex Tse negou liberdade a Alfozan, mesmo após o consulado saudita em Los Angeles se oferecer para pagar fiança integral. O juiz chamou a oferta de "problemática" e citou risco de fuga. Antes da prisão, Alfozan havia comprado passagem só de ida para Riad, com embarque previsto para 12 de outubro. Sua esposa e o filho do casal deixaram os Estados Unidos em 10 de outubro, um dia após a prisão dele. Promotores alertaram que a conduta de Alfozan "poderia representar perigo à segurança nacional dos Estados Unidos".
Atualização (20/10, 00:47): Um juiz federal de São Francisco, Alex Tse, negou liberdade sob fiança a Abdulrahman Alfozan, o ex-engenheiro da OpenAI de 35 anos acusado de instalar um dispositivo de gravação clandestina em uma sala de reuniões executiva da empresa. Na decisão, o magistrado apontou um risco "significativo" de fuga e classificou como "problemática" a oferta do consulado saudita em Los Angeles de pagar integralmente uma eventual fiança.
Para sustentar o risco de fuga, promotores apresentaram evidências de que Alfozan mantinha contatos frequentes via WhatsApp com um integrante não identificado da família real saudita ao longo de 2025 e 2026, que teria tentado recrutá-lo para uma iniciativa de inteligência artificial. Uma das mensagens citadas pela acusação dizia: "A Arábia Saudita precisa mais de você do que os Estados Unidos." Os promotores também alertaram que as ações atribuídas a ele "podem representar risco à segurança nacional dos Estados Unidos".
Como reforço da tese de fuga, o Ministério Público apontou que Alfozan havia comprado uma passagem aérea só de ida para Riade, com embarque previsto para 12 de outubro, e que sua esposa e o filho de três meses deixaram os EUA em 10 de outubro, com passagens pagas por um oficial militar saudita. A defesa contestou essa leitura, alegando que o engenheiro tinha uma entrevista de cidadania americana agendada para 6 de novembro. Alfozan foi preso em 9 de outubro e enfrenta pena máxima de cinco anos de prisão.