
FBI fecha fazendas de notebooks usadas em fraude da Coreia do Norte
Operação no Texas buscou mais de 40 endereços e apreendeu cerca de 187 notebooks usados para disfarçar norte-coreanos como funcionários remotos nos EUA. Esquema gerou cerca de US$ 3 milhões para o regime.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O FBI (polícia federal dos Estados Unidos) fechou uma rede de "fazendas de notebooks" no Texas usada por operativos da Coreia do Norte para fingir que trabalhavam dentro dos EUA. Batizada de "Lonestar Roundup", a operação ocorreu entre 21 e 25 de setembro e resultou em buscas em mais de 40 residências, com a apreensão de aproximadamente 187 notebooks e outros equipamentos, incluindo dispositivos KVM (hardware que transmite teclado, vídeo e mouse pela internet, permitindo operar um computador a distância).
Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o esquema funcionava assim: cúmplices americanos recebiam e hospedavam notebooks corporativos em suas casas, instalavam softwares de acesso remoto e deixavam as máquinas ligadas. Do outro lado do mundo, trabalhadores de TI norte-coreanos acessavam esses notebooks remotamente usando identidades falsas ou roubadas, simulando estar localizados nos Estados Unidos para conseguir vagas de emprego remoto.
Duas pessoas foram presas nos EUA: Michael James Bostelle, da Pensilvânia, e Juan Cecilio Pena Carrillo, do Texas, ambos acusados de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e roubo de identidade. Outros indiciados no caso são cidadãos chineses apontados como parte da rede de facilitação.
Quem foi afetado
De acordo com a investigação, o esquema rodou de 2019 até julho de 2025 e atingiu cerca de 70 empresas americanas, gerando aproximadamente US$ 3 milhões em receita desviada para atores ligados ao regime norte-coreano. Parte desse dinheiro, segundo autoridades dos EUA, é direcionada a programas armamentistas do país. As vítimas diretas são as empresas que contrataram esses trabalhadores sem saber da fraude, mas o problema também expõe recrutadores e equipes de RH que lidam com contratação 100% remota.
O que fazer agora
Para empresas que contratam profissionais de TI em regime remoto, a recomendação de especialistas em segurança é reforçar a verificação de identidade antes da contratação:
- Exigir entrevista em vídeo ao vivo (não gravada) e confirmar que o rosto corresponde aos documentos apresentados;
- Checar se o endereço de entrega do notebook corporativo é residencial e consistente com o local declarado pelo candidato;
- Monitorar uso de ferramentas de acesso remoto não autorizadas (como softwares de KVM) nas máquinas da empresa;
- Validar referências profissionais de forma independente, sem usar apenas contatos fornecidos pelo próprio candidato;
- Ficar atento a sinais como recusa de câmera em reuniões, fuso horário inconsistente com o endereço informado e pedidos recorrentes de troca de conta bancária para pagamento.
O caso reforça que a verificação de identidade no processo de contratação remota deixou de ser burocracia e passou a ser parte da segurança da empresa.