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Smart Cities20 de ago. de 2026, 10:41

FCC derruba meta de 1 Gbps e diz que padrão precisa ser "neutro"

Agência reguladora dos EUA aboliu a meta de longo prazo de 1.000/500 Mbps para banda larga, argumentando que ela prejudicava tecnologias como satélite e internet fixa sem fio.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quem decide o que é internet rápida?

Se você contrata um plano de internet, provavelmente escolhe pela velocidade anunciada. Nos Estados Unidos, quem definia o patamar mínimo aceitável para o país era a FCC (Federal Communications Commission). Pois a agência acaba de abandonar a meta de longo prazo de 1.000 Mbps de download por 500 Mbps de upload — o chamado "padrão gigabit" — estabelecida em 2024 sob a então presidente Jessica Rosenworcel.

Segundo reportagens do Broadband Breakfast, do The Register e do Tom's Hardware, a proposta foi conduzida pelo atual presidente da FCC, Brendan Carr, indicado pelo governo Trump, e aprovada em votação no relatório anual da Seção 706, que avalia se a banda larga está sendo implantada de forma "razoável e oportuna" no país.

Foto: reprodução/theregister.com

O argumento: "neutralidade tecnológica"

A justificativa oficial, citada pelo Broadband Breakfast e pelo The Register, é de que manter uma meta de 1.000/500 Mbps seria "injustificadamente prejudicial" a tecnologias como satélite e internet fixa sem fio (fixed wireless), que hoje não alcançam essas velocidades. Para a FCC, sustentar essa meta de longo prazo "arrisca distorcer o mercado ao potencialmente escolher vencedores e perdedores tecnológicos" e poderia violar a obrigação da agência de conduzir sua análise de forma "tecnologicamente neutra".

Na prática, o padrão mínimo de banda larga nos EUA permanece em 100 Mbps de download e 20 Mbps de upload — patamar mantido desde 2024 e usado no relatório de 2026, que aponta que 96,9% dos americanos já têm acesso a essa velocidade via redes fixas terrestres. Mas o horizonte de gigabit para todos, que apontava para onde a infraestrutura deveria evoluir, simplesmente deixou de existir. Junto com a meta, a FCC também interrompeu o acompanhamento de preços e da acessibilidade financeira da banda larga, restringindo a análise a saber apenas se o serviço está disponível — não se ele é acessível ao bolso do consumidor.

E o consumidor, quem fiscaliza?

A decisão levanta uma pergunta incômoda: sem uma meta de velocidade a perseguir, quem garante que operadoras vão continuar investindo em fibra e redes de maior capacidade? Críticos citados pelo Broadband Breakfast argumentam que a mudança favorece tecnologias que hoje entregam menos, como satélite — caso do Starlink, de Elon Musk — e fixed wireless, num momento em que o próprio governo dos EUA alterou critérios de distribuição de verbas de conectividade para incluir mais provedores não-fiberizados.

No Brasil, o cenário é outro em termos de tendência: dados da Anatel divulgados pelo Ministério das Comunicações mostram que o acesso à banda larga fixa cresceu 2,7% em dezembro de 2025 ante o mesmo mês de 2024, com o país ultrapassando a marca de mais de 53 milhões de acessos e velocidade média de contratação girando em torno de 500 Mbps no início de 2026 — puxada pela expansão da fibra óptica. Aqui não existe um equivalente direto à meta gigabit da FCC, mas o exemplo americano é um lembrete de que padrões regulatórios de velocidade não são só números técnicos: eles sinalizam para o mercado onde investir — e para o cidadão, o que esperar da própria conexão.

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