FCC libera 15 mil satélites e Starlink vira ameaça a operadoras dos EUA
A agência reguladora dos EUA aprovou a nova constelação Starlink Mobile, que promete 150 Mbps direto ao celular sem depender de operadoras terrestres. A decisão abre caminho para a SpaceX disputar o mercado de telecom tradicional, não só a internet via satélite.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 15 mil satélites liberados pela FCC
A Federal Communications Commission (FCC), agência que regula telecomunicações e uso do espectro de rádio nos Estados Unidos, aprovou em 6 de outubro o lançamento de até 15 mil novos satélites da Starlink, rede de satélites de internet da SpaceX, empresa de Elon Musk. A autorização cobre a nova constelação Starlink Mobile e marca a maior expansão já aprovada para o sistema, somando-se aos 7.500 satélites de geração mais recente liberados em janeiro.
Não é só sobre colocar mais antenas em órbita. A aprovação vem com uma dispensa que permite à SpaceX vender conectividade sem fio usando espectro próprio, sem precisar de um acordo de arrendamento com uma operadora terrestre — a barreira regulatória que até agora limitava o avanço de players de satélite sobre o mercado de telefonia móvel.
De internet remota a rival de operadora
Até aqui, a Starlink era vista como solução de nicho: conectividade para áreas sem infraestrutura terrestre, zonas rurais, embarcações, voos. Com o Starlink Mobile operando a plena capacidade, a promessa da empresa é entregar velocidades de até 150 Mbps diretamente a celulares comuns, via antenas terrestres de baixo custo combinadas aos satélites. É um salto frente à versão atual do serviço, que roda em cerca de 650 satélites e entrega algo perto de 4 Mbps.
Para viabilizar o serviço, a SpaceX garantiu acesso a frequências compradas da EchoStar, negócio de cerca de US$ 17 bilhões fechado no ano passado, além de espectro do próprio T-Mobile, parceiro atual da Starlink nos EUA. A empresa tem até 1º de dezembro de 2028 para lançar metade dos satélites agora autorizados, sob risco de perder a licença.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha, num primeiro momento, é a própria SpaceX, que passa a ter licença para brigar de igual para igual com operadoras tradicionais em conectividade móvel. Ganham também consumidores em áreas remotas ou mal cobertas, que passam a ter alternativa real de sinal de celular sem torre por perto.
Do outro lado da mesa, a aprovação é sinal de alerta para AT&T e Verizon, que não têm parceria com a Starlink e agora veem um concorrente orbital nascer com autorização para vender serviço de voz e dados por conta própria. Mesmo o T-Mobile, parceiro da SpaceX até aqui, precisa monitorar o movimento: o waiver dado pela FCC reduz a dependência da Starlink do espectro de operadoras terrestres, o que no limite esvazia o poder de barganha dos parceiros atuais.