
FCC propõe bloquear ligações de operadoras chinesas nos EUA
Órgão regulador de telecomunicações dos EUA marcou para 19 de novembro a votação que pode banir China Mobile, China Telecom e China Unicom do acesso direto a números americanos, citando golpes e espionagem. Embaixada chinesa diz que medida prejudica o comércio entre os países.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A FCC (Federal Communications Commission), órgão que regula telecomunicações nos Estados Unidos, marcou para o dia 19 de novembro a votação de uma proposta que bloqueia o acesso direto de operadoras chinesas a números de telefone americanos. As empresas citadas são a China Mobile, a China Telecom e a China Unicom, além de outros provedores de serviços via IP que usem equipamentos das fabricantes chinesas Huawei e ZTE.
Segundo o presidente da FCC, Brendan Carr, a medida vai "reforçar a primeira linha de defesa contra atores maliciosos e robocallers ilegais" — as chamadas automatizadas usadas em golpes telefônicos. O órgão também cita risco de segurança nacional: o grupo de hackers Salt Typhoon, apontado como ligado à China, teria roubado registros de chamadas e se infiltrado em infraestruturas de telecomunicações dos EUA.
A proposta amplia uma restrição que já existia: a FCC já havia proibido as três operadoras de oferecer serviços internacionais de telecomunicações para os Estados Unidos.
Quem é afetado
A proposta afeta diretamente usuários e empresas nos EUA que recebem ligações originadas pelas operadoras chinesas listadas, além dos próprios provedores chineses, que perderiam acesso à numeração americana. A embaixada da China nos EUA criticou a iniciativa e afirmou que ela "prejudicaria o comércio entre os dois países". O governo chinês também classificou a ação como um uso exagerado do conceito de segurança nacional.
No Brasil, o impacto direto é limitado, já que a medida vale para o sistema telefônico americano. Mas o episódio reforça uma tendência: reguladores de telecomunicações ao redor do mundo têm mirado operadoras e fabricantes chinesas sob justificativa de segurança cibernética.
O que fazer agora
Mesmo sem relação direta com o consumidor brasileiro, o caso é um bom gatilho para revisar hábitos de proteção contra golpes por telefone, prática que também cresce no Brasil:
- Desconfie de ligações de números internacionais desconhecidos, especialmente as que pedem dados bancários;
- Nunca forneça senhas, códigos de verificação ou dados de cartão por telefone;
- Use os recursos de bloqueio de chamadas e identificação de spam disponíveis no seu operador ou smartphone;
- Confirme qualquer solicitação suspeita diretamente com a instituição, por um canal oficial, antes de agir.
A votação da FCC está marcada para 19 de novembro, e o desfecho pode servir de referência para outros países que avaliam restrições semelhantes a operadoras chinesas.