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Mercado05 de out. de 2026, 09:50

FedEx encomenda 2 mil caminhões elétricos da Harbinger por US$ 300 milhões

É o maior pedido da história da Harbinger, startup que fabrica caminhões elétricos de médio porte e que avalia abrir capital na bolsa. As entregas devem ser concluídas até o fim de 2027.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 300 milhões em um único pedido

A FedEx, gigante global de logística e entregas, fechou um pedido de 2.000 caminhões elétricos com a Harbinger, startup americana de veículos comerciais elétricos fundada em 2022 por ex-funcionários da Anduril, da extinta Canoo e da QuantumScape. O contrato, avaliado em mais de US$ 300 milhões, é o maior já firmado na história da Harbinger e deve ter todas as unidades entregues até o fim de 2027.

Os veículos serão incorporados às operações de coleta e entrega da FedEx nos Estados Unidos e no Canadá. Segundo a Harbinger, a frota de 2 mil caminhões elétricos pode gerar cerca de US$ 40 milhões em economia anual com combustível, o equivalente a US$ 800 milhões ao longo dos 20 anos de vida útil típica desses veículos — uma conta que ajuda a justificar o apetite da FedEx por eletrificar parte da sua operação.

Um pedido grande para um setor ainda pequeno

O mercado de caminhões elétricos de médio porte segue incipiente nos Estados Unidos, com poucos fabricantes conseguindo escalar produção e fechar contratos de grande volume. Nesse cenário, um pedido de 2 mil unidades funciona como validação de mercado: mostra que uma transportadora do porte da FedEx está disposta a apostar pesado em um fornecedor ainda jovem, em vez de esperar os caminhões elétricos amadurecerem nas mãos de montadoras tradicionais.

Não é a primeira vez que as duas empresas fazem negócio. A FedEx já havia recebido 53 unidades da Harbinger em um pedido anterior e liderou, no fim de 2025, uma rodada Series C de US$ 160 milhões na startup — o que torna a transportadora tanto cliente quanto investidora.

O que isso sinaliza para o IPO da Harbinger

A Harbinger já está em produção e gerando receita, características raras entre fabricantes de veículos elétricos em estágio inicial — setor marcado por fracassos como o da própria Canoo, berço de parte dos fundadores da empresa. A startup também tem diversificado o portfólio, com incursões em veículos híbridos de emergência, sistemas de armazenamento de energia e até aplicações de defesa, além da aquisição de uma empresa de direção autônoma em fevereiro.

Desde maio, a Harbinger é apontada como candidata a abrir capital na bolsa, negociação que estaria sendo conduzida com o banco Goldman Sachs. Um contrato recorde como este, fechado às vésperas de uma possível oferta pública inicial, tende a reforçar a tese de receita recorrente e previsibilidade de demanda que bancos de investimento costumam exigir antes de levar uma empresa ao mercado.

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