tech & talk
Mercado13 de ago. de 2026, 16:54

Fermi, empresa de energia nuclear para IA, enfim tem novo CEO

Após mais de três meses de vacância desde a demissão por justa causa de Toby Neugebauer, a Fermi nomeou Lee McIntire, ex-CEO da TerraPower, para comandar o Project Matador, campus de data centers movido a energia nuclear no Texas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

Mais de três meses de vacância no comando

A Fermi, empresa que constrói infraestrutura de energia nuclear para alimentar data centers de inteligência artificial, finalmente nomeou um novo CEO: Lee McIntire, até então membro independente do conselho da companhia. A escolha encerra um período de mais de três meses sem comando efetivo, desde a saída turbulenta do cofundador Toby Neugebauer.

McIntire chega com currículo pesado para o desafio: já foi CEO da CH2M Hill e da TerraPower, startup de energia nuclear fundada por Bill Gates, acumulando 40 anos de experiência em projetos complexos de grande porte. Segundo Marius Haas, presidente do conselho da Fermi, "o próximo capítulo da Fermi é uma história de construção e entrega de energia... Lee passou 40 anos entregando exatamente esse tipo de projeto grande e complexo".

Por que Neugebauer saiu

A demissão de Neugebauer, cofundador da Fermi, não foi amigável. Ele deixou o cargo de CEO em abril de 2026 e teve o contrato encerrado formalmente pouco depois, junto com o CFO Miles Everson. Documentos da SEC mostram que a Fermi alegou justa causa, citando "conduta em violação aos termos de seu contrato de trabalho e de políticas da empresa", afirmando que seu comportamento como CEO "criou disrupção nas operações e representou ameaça significativa a relacionamentos importantes com stakeholders-chave". A empresa batizou a reorganização de "Fermi 2.0". Neugebauer, por sua vez, contestou a versão e disse publicamente que a disputa era sobre controle do projeto, não sobre desempenho.

O que isso sinaliza para o mercado de energia nuclear e IA

A Fermi é cofundada pelo ex-secretário de Energia dos EUA Rick Perry e desenvolve o Project Matador, um campus de data centers de IA em Amarillo, no Texas, planejado para ser alimentado por reatores nucleares — aposta que reflete a corrida do setor de tecnologia por energia limpa e constante para sustentar cargas computacionais cada vez maiores.

O timing da nomeação não é acaso: na segunda-feira anterior ao anúncio, a Fermi assinou a TensorWave como primeira cliente de leasing vinculada ao Project Matador, movimento que fez as ações da empresa subirem cerca de 23% na semana. Encerrar a vacância no comando logo depois de fechar esse contrato sinaliza ao mercado que a companhia quer projetar estabilidade executiva no exato momento em que começa a monetizar sua tese de negócio — decisiva para atrair os investimentos bilionários que projetos de energia nuclear para IA exigem.

energia nucleardata centersinteligência artificialgovernança corporativafermi
Compartilhar