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Smart CitiesCiência27 de out. de 2026, 12:38

Ferramentas da Cornell e do MIT miram calor nas ruas e árvores doentes

Duas tecnologias de universidades dos EUA prometem ajudar prefeituras a traçar rotas mais frescas para pedestres e flagrar árvores urbanas doentes antes que elas morram.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Rotas mais frescas pra pedestre

Pesquisadores da Cornell University, da City University of New York (CUNY) e da University of Washington desenvolveram o CoCo: Heat Minimizer, uma ferramenta que cruza dados públicos de satélite para apontar os trajetos a pé com menor exposição ao calor. Em simulações feitas em Brooklyn, bairro de Nova York, o sistema encontrou caminhos até 2,3°C mais frescos em 95% das viagens testadas — sem precisar instalar nenhum sensor novo na rua.

A equipe já mapeou as rotas de caminhada até 581 escolas de Brooklyn e configurou o CoCo para outras cidades, incluindo Los Angeles e Dubai, com pilotos em discussão. Como o cálculo usa apenas dados de satélite já disponíveis, qualquer prefeitura pode rodar a ferramenta sem custo extra de hardware e decidir onde plantar árvores, criar sombra ou trocar o tipo de pavimento.

Árvore doente, sensor barato

A segunda tecnologia, batizada Greenery Scanner, nasceu no MIT e ataca outro problema: identificar árvores urbanas estressadas antes que elas percam a copa ou morram. O equipamento usa sensores multiespectrais montados em veículos comuns, circulando pela cidade para captar sinais de estresse nas partes baixas e laterais da copa — justamente onde os primeiros sintomas aparecem, antes de ficarem visíveis a olho nu de cima.

O diferencial está no preço: cada unidade custa menos de US$ 1.000, uma fração do que sistemas de sensoriamento remoto tradicionais cobram. Testes em Boston, Cambridge e Roma já avaliaram 84 árvores.

Quem decide o que vira política pública

As duas ferramentas foram selecionadas entre 100 inovações, de mais de 3.000 submissões, pela Prototypes for Humanity, iniciativa ligada à Dubai Future Solutions que leva projetos de universidades a investidores e governos. Elas serão apresentadas num evento em Dubai entre 18 e 21 de novembro.

Fica a pergunta que interessa a quem mora na cidade: ter o dado é diferente de usar o dado. CoCo e Greenery Scanner mostram onde o calor castiga mais e quais árvores precisam de ajuda — mas não dizem quem vai pagar pelo plantio, pela manutenção ou por garantir que a informação chegue a quem decide o orçamento de arborização. Sem fiscalização e verba, o mapa mais preciso do mundo continua sendo só um mapa.

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