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Mercado06 de nov. de 2026, 07:46

Ferrari Luce: elétrico polêmico esgota produção de 2027

A Ferrari anunciou que toda a produção de 2027 da Luce, seu primeiro elétrico, já está vendida — mesmo após o carro ter sido ridicularizado em sua estreia. O SUV de US$ 615 mil, assinado por Jony Ive, tem fila de espera de um ano.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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2.500 unidades até 2030, e 2027 já esgotado antes mesmo do primeiro test-drive

É esse o número que resume o paradoxo da Ferrari Luce: a montadora italiana anunciou que toda a produção do seu primeiro carro elétrico planejada para 2027 já está "totalmente alocada" — ou seja, vendida — antes mesmo de os clientes terem feito um test-drive do carro. Segundo o CEO Benedetto Vigna, "tudo o que planejamos vender no ano que vem já está totalmente alocado", e os test-drives para a imprensa só começam no início de 2027, seguidos pelos dos clientes.

Um SUV de cinco lugares a US$ 615 mil que nasceu sob vaias

A Luce estreou em maio deste ano sob forte rejeição pública: foi "ridicularizada e amplamente criticada" assim que revelada, a ponto de pressionar as ações da Ferrari para baixo. O carro é assinado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, hoje à frente do coletivo LoveFrom — currículo que explica tanto o fascínio quanto o estranhamento em torno de uma carroceria alta e minimalista, bem distante do perfil de cupê que historicamente define a marca de Maranello. Até o ex-presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, sugeriu publicamente que o logotipo do cavalinho fosse retirado do projeto.

Com preço de partida em torno de US$ 615 mil (equivalente a cerca de US$ 640 mil em outras conversões citadas pela imprensa), a Luce é um elétrico de cinco lugares com quatro motores e até 1.050 cv de potência, segundo especificações técnicas divulgadas. As primeiras entregas devem começar no quarto trimestre, e quem comprar agora entra numa fila de aproximadamente um ano.

Quem ganha: a Ferrari que blinda a receita com personalização

O resultado financeiro reforça a aposta da marca: no terceiro trimestre de 2026, a receita da Ferrari somou 1,9 bilhão de euros (alta de 7% no ano), com lucro líquido de 431 milhões de euros (+13%) e margem operacional de 29,7%. A receita de personalização já responde por mais de 21% do faturamento com carros e peças — prova de que o comprador de luxo paga a mais por exclusividade, não por volume. A companhia elevou sua projeção anual para um mínimo de 3 bilhões de euros.

Vigna afirma que o mix de compradores da Luce é equilibrado tanto em perfil de cliente quanto em geografia, sem "padrão específico ou demografia" definida — segundo reportagens que acompanham a repercussão, isso inclui desde colecionadores tradicionais da marca até novos compradores de elétricos premium, com destaque para o crescimento do mercado chinês.

Quem perde: a meta de 2.500 unidades até 2030 testa os limites da exclusividade

A Ferrari projeta vender 2.500 unidades da Luce até 2030 — média de 600 por ano —, mas a produção estimada para 2026 giraria em torno de 500 unidades, conforme reportagem do Financial Times citada na apuração original. O desafio da marca não é vender: é não vender demais. Crescer rápido demais ameaça o pilar que sustenta o preço de meio milhão de dólares: a escassez. Quem perde, paradoxalmente, pode ser o próprio apelo de exclusividade que fez a Luce ser badalada mesmo depois de ridicularizada.

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