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Ciência23 de out. de 2026, 10:04

Fim do segundo bissexto: mundo muda o relógio após alerta sobre riscos digitais

A Conferência Geral de Pesos e Medidas aprovou o fim do segundo bissexto e a adoção do UTC Contínuo a partir de maio de 2027, para reduzir riscos de falhas em servidores, redes e sistemas críticos.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um segundo que pode travar a internet

Um segundo é quase nada no seu dia. Mas, inserido de repente no relógio de milhões de servidores ao mesmo tempo, já foi o suficiente para tirar do ar sites como Reddit e LinkedIn e atrapalhar o sistema de check-in da companhia aérea australiana Qantas — isso aconteceu de verdade em 30 de junho de 2012, quando o último grande incidente desse tipo foi registrado. É esse tipo de risco que levou o mundo a decidir, agora, aposentar o chamado "segundo bissexto".

O que é fato confirmado

A Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) — organização internacional de metrologia, vinculada ao Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), que define os padrões oficiais de tempo e medidas usados no mundo — aprovou em sua 28ª edição, realizada em Versalhes, na França, entre 13 e 15 de outubro de 2026, o fim da prática de adicionar segundos bissextos ao Tempo Universal Coordenado (UTC).

A decisão, batizada de Resolução 5, cria o chamado "UTC Contínuo", que passa a valer oficialmente em 20 de maio de 2027, data que marca o Dia Mundial da Metrologia. Segundo a resolução, a diferença máxima entre o tempo baseado na rotação da Terra (UT1) e o UTC poderá chegar a 3.600 segundos, equivalente a uma hora, o que garante a continuidade do sistema atual por séculos, sem necessidade de novos ajustes.

O segundo bissexto existe desde 1972 e era inserido esporadicamente para compensar pequenas variações na velocidade de rotação da Terra, mantendo o relógio atômico alinhado ao movimento do planeta. Segundo o Tecnoblog, a CGPM avalia que esse tipo de ajuste representa risco elevado para infraestruturas críticas — servidores, redes de telecomunicação, sistemas de navegação por satélite e redes elétricas —, podendo exigir investimentos comparáveis aos feitos na preparação para o Bug do Milênio.

O que é hipótese ou projeção

O gatilho mais recente para a mudança é a possibilidade de a Terra precisar, pela primeira vez, de um segundo bissexto negativo — ou seja, remover um segundo do tempo oficial em vez de adicionar, algo que nunca foi testado e que especialistas apontam como ainda mais arriscado para sistemas digitais não preparados. Essa necessidade é projetada a partir da aceleração recente observada na rotação da Terra, mas não é um evento já ocorrido.

Por que isso importa

A mudança não altera a hora que aparece no relógio das pessoas, mas afeta diretamente a infraestrutura que sincroniza bancos, bolsas de valores, redes de telecomunicação e sistemas de GPS. Abolir o ajuste reduz a chance de repetição de episódios como o de 2012, quando falhas de sincronização tiraram serviços do ar por falhas em kernels Linux e bancos de dados que não processaram corretamente a inserção do segundo extra.

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