
Flapping Airplanes capta US$ 1 bi a valuation de US$ 6 bi com 1 ano de vida
Laboratório de IA que promete treinar modelos sem depender de raspagem massiva de dados quadruplicou sua valuation em nove meses. A rodada Series A de US$ 1 bilhão foi liderada por Index e Lux Capital.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 1 bilhão em 9 meses
US$ 1 bilhão é o valor que a Flapping Airplanes, laboratório de inteligência artificial fundado há pouco mais de um ano e que promete treinar modelos sem depender de raspagem massiva de dados da internet, acaba de levantar em uma rodada Series A. A cifra coloca a empresa em uma valuation de US$ 6 bilhões — um salto de quatro vezes em relação aos US$ 1,5 bilhão atribuídos a ela apenas nove meses atrás, quando a startup levantou uma seed de US$ 180 milhões.
A rodada foi colideira por Index Ventures e Lux Capital, com participação de Sequoia Capital, GV (braço de venture capital do Google), Kleiner Perkins, Valor, Atreides, A* e Nvidia, segundo o TechCrunch. É a mesma Sequoia e a mesma GV que já estavam na seed de janeiro, ao lado da Index — sinal de que os investidores iniciais dobraram a aposta em vez de diluir posição.
Foto: reprodução/thenextweb.com
O que a empresa promete
Fundada por Ben Spector e Asher Spector (irmãos, com formação em Stanford) e Aidan Smith (ex-Neuralink e ex-Thiel Fellow), a Flapping Airplanes defende que a indústria de IA está presa a um paradigma de pura escala — mais dados, mais GPUs, mais parâmetros — e que ainda há folga significativa na forma como os chips são usados. A tecnologia central da empresa é um "megakernel", framework que funde treinamento, inferência e processamento em uma única execução de GPU, reduzindo desperdício computacional.
A tese, resumida por um sócio da Sequoia ao TechCrunch, é que a indústria estaria "a duas ou três descobertas de pesquisa" de avanços relevantes rumo à AGI — uma aposta de pesquisa de longo prazo, não de escala bruta.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha é o time fundador e os investidores da seed, que viram o valor de suas posições quadruplicar em menos de um ano — um retorno raro mesmo para o padrão inflado do atual ciclo de IA. Ganha também a Nvidia, que entra agora como investidora estratégica, reforçando seu padrão de aportar em clientes que consomem (ou prometem consumir) seus chips em grande escala.
Quem fica pressionado é o conjunto de laboratórios que apostam exclusivamente em scaling com datasets gigantes: se a tese de eficiência de dados da Flapping Airplanes se provar, o argumento de que só quem tem mais dados e mais GPU vence perde força. Também é um teste para o mercado de capital de risco em IA, que segue destinando cifras bilionárias a empresas sem produto comercial amplamente testado — a Flapping Airplanes ainda não tem lançamento público consolidado, apenas a tecnologia e a tese.
Com o novo aporte, a empresa afirma que vai expandir o time de pesquisa e engenharia para colocar à prova, em escala, a promessa de treinar modelos de ponta sem "engolir metade da internet".