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Segurança24 de set. de 2026, 23:11

Flock é alvo de senadores dos EUA após CEOs ignorarem audiência

Senado dos EUA cobrou explicações sobre a rede de vigilância com IA da Flock Safety, mas o CEO da empresa nem apareceu. Um senador chamou a companhia de nome que "se destaca acima de todos" no setor.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O Senado dos Estados Unidos realizou nesta semana uma audiência para debater os riscos da vigilância automatizada com inteligência artificial, e o principal alvo foi a Flock Safety, fabricante de câmeras e leitores de placas com IA usados por departamentos de polícia em todo o país. A sessão, batizada de "Always Watching: Flock's Nationwide AI Surveillance Network", foi conduzida pelo subcomitê de Crime e Contraterrorismo da Comissão Judiciária do Senado, sob comando do senador republicano Josh Hawley.

O detalhe que chamou atenção: nenhum dos quatro CEOs convidados apareceu. Hawley havia chamado à audiência os chefes executivos da Flock, da Axon, da Motorola Solutions e da Verkada — todas fornecedoras de tecnologia de vigilância para forças policiais. Todos recusaram o convite. "Mandamos cartas pedindo para eles estarem aqui, e eles não estão", disse o senador durante a sessão.

Ainda que sem a presença direta da empresa, a Flock foi o nome mais citado. Hawley resumiu o motivo: "Tem muitos players nesse setor, mas tem um nome que realmente se destaca acima de todos, e esse nome é Flock." Segundo dados apresentados na audiência, a rede da empresa reúne mais de 120 mil câmeras espalhadas pelos Estados Unidos, capazes de gerar uma espécie de "assinatura do veículo" — registro que vai além da placa e inclui marca, modelo, cor e detalhes como adesivos e acessórios.

Quem é afetado

A audiência recebeu também o depoimento de Lindsey Isaacs, mulher que foi apontada erroneamente como suspeita em um acidente de trânsito fatal na Flórida depois que investigadores usaram dados de um leitor de placas para ligá-la ao caso. O episódio foi citado por senadores de ambos os partidos como exemplo dos riscos de decisões automatizadas sem supervisão humana adequada — o tipo de erro que pode atingir qualquer motorista cujo veículo passe perto de uma dessas câmeras, mesmo sem qualquer suspeita prévia.

No Brasil, a Flock ainda não tem operação conhecida, mas o caso importa como termômetro regulatório: o debate sobre até onde vai o uso de IA em vigilância policial tende a chegar por aqui à medida que tecnologias parecidas se espalham.

O que fazer agora

Para quem acompanha o tema de perto, os próximos passos a observar são:

  • Se o Senado vai convocar formalmente os CEOs ausentes ou abrir investigação mais ampla;
  • Como a Flock vai reagir publicamente à repercussão negativa;
  • Se outros estados ou cidades nos EUA vão suspender contratos com a empresa;
  • Se há sinais de propostas semelhantes de regulação chegando ao Congresso brasileiro.
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