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Segurança15 de out. de 2026, 10:17

Flock Safety enfrenta processo e nega ter perdido clientes policiais

Empresário da Geórgia processa a empresa de câmeras de leitura de placas após ser rastreado cinco vezes durante disputa judicial com o xerife local; CEO da Flock nega ter cancelado contratos com a polícia.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

A Flock Safety, empresa de vigilância americana por trás das câmeras de leitura automática de placas (ALPR) usadas por milhares de departamentos de polícia nos Estados Unidos, virou alvo de um processo judicial na Geórgia. O autor da ação, o pequeno empresário Tyler Murkerson, alega que o sistema da companhia foi usado para rastreá-lo cinco vezes entre maio e novembro de 2025 — justamente enquanto ele processava o xerife do condado de Coweta por uso excessivo de força, após ser preso e levar choque de taser em 2023 numa abordagem cujas acusações foram arquivadas meses depois.

Segundo a ação, movida também contra o gabinete do xerife, os registros de busca no sistema da Flock mostram apenas entradas genéricas como “info” no campo que deveria indicar motivo investigativo — sem mandado, sem número de ocorrência, sem justificativa legal. Para os advogados do caso, isso configura retaliação por Murkerson ter exercido o direito de buscar reparação na Justiça.

Quem é afetado

O caso não é isolado. Uma ação coletiva maior, apresentada em agosto na mesma Geórgia, argumenta que a rede de mais de 100 mil câmeras da Flock permite que policiais vigiem qualquer pessoa por motivos pessoais, e poderia abranger todo cidadão americano com placa escaneada pelo sistema desde 2024. Levantamentos recentes já identificaram dezenas de policiais nos EUA processados ou demitidos por mau uso dos bancos de dados de ALPR — a maioria ligada à Flock.

Em resposta à repercussão, o CEO Garrett Langley disse à imprensa que a empresa “demitiria imediatamente” um cliente que violasse a lei conscientemente, mas afirmou que, até agora, nenhum departamento de polícia foi cortado como cliente — mesmo após cidades cancelarem mais de 80 contratos com a Flock desde 2021.

O que fazer agora

Quem mora nos EUA e quer entender sua exposição a esse tipo de vigilância pode:

  • Verificar se a prefeitura ou condado local tem contrato com a Flock Safety (muitas cidades publicam essa informação em atas públicas);
  • Pedir, via lei de acesso à informação, os registros de busca feitos com a placa do próprio veículo;
  • Acompanhar ações coletivas em andamento, caso tenha sido alvo de rastreamento sem relação com investigação formal;
  • Ficar atento a decisões judiciais sobre o caso — elas podem definir limites de uso da tecnologia para outras cidades, inclusive fora dos EUA.

Atualização (15/10, 00:59): O CEO da Flock Safety, Garrett Langley, voltou a público em meio ao processo e às acusações de perda de clientes policiais, desta vez em um painel no TechCrunch Disrupt 2026, em São Francisco. Ele defendeu a tecnologia de vigilância e reconhecimento de placas da empresa, afirmando que a repercussão negativa não deveria travar o avanço do setor: "Se queremos viver em uma sociedade em que, ao cometer um crime, você tenha maior probabilidade de ser responsabilizado, não deveríamos pausar o progresso." Langley comparou a situação da Flock à de carros autônomos, argumentando que tecnologias mais seguras não devem ser interrompidas por causa de incidentes isolados.

O executivo também atribuiu parte dos cancelamentos de contratos a "desinformação", dizendo que alguns clientes teriam cancelado por crerem, erroneamente, que as câmeras da empresa fazem reconhecimento facial. Segundo ele, a Flock pretende oferecer recomendações e configurações padrão às polícias, mas vai minimizar a imposição de funcionalidades e políticas obrigatórias aos governos municipais.


Atualização (15/10, 03:40): Atualização (15/10): Em apresentação no TechCrunch Disrupt, o CEO da Flock Safety, Garrett Langley, afirmou que os microfones de detecção de disparos usados pela empresa captam "apenas tiros": "se uma arma dispara, nós alertamos, e se não, é tudo que você vai ouvir". A declaração, porém, contradiz o próprio site da Flock, que descreve capacidades de áudio muito mais amplas, incluindo identificar "takeovers de rua" para conter o caos antes que se agrave, detectar "acidentes graves em tempo real" e "expandir a percepção além de disparos com alertas para colisões de carro, fogos de artifício e sideshows".

A empresa já havia alterado a descrição dessa funcionalidade antes: inicialmente, prometia detectar "gritos" de pessoas em sofrimento, mas, após críticas de grupos de privacidade por monitorar vozes humanas, passou a usar o termo "sons de angústia humana" e depois retirou essa menção do site.

As declarações de Langley ocorrem em meio a um escrutínio crescente sobre a Flock por parte de defensores de privacidade, incluindo a ACLU, e de parte do público preocupada com o uso indevido da tecnologia da empresa — contexto que já levou Texas, Flórida e a Amazon Ring a encerrarem parcerias com a Flock.

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