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Mercado20 de set. de 2026, 18:01

Flock Safety oferece buyout ao ganhar valuation de US$ 8,4 bi e perder 90 contratos

A fabricante americana de câmeras de reconhecimento de placas viu seu valor de mercado saltar para US$ 8,4 bilhões, mas enfrenta debandada de cidades e escândalos de uso indevido por policiais. Agora tenta reduzir seu quadro de 1.500 funcionários sem demissões formais.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 8,4 bilhões de valuation, 90 contratos perdidos em um mês

A Flock Safety, empresa americana que fabrica câmeras de reconhecimento automático de placas de veículos (ALPR) usadas por departamentos de polícia nos Estados Unidos, está oferecendo pacotes de recompra (buyouts) para reduzir seus cerca de 1.500 funcionários, segundo apuração do TechCrunch. Internamente, o pacote foi descrito como "o mais generoso já oferecido" pela companhia, e a expectativa é que uma "porção significativa" do quadro aceite a saída voluntária. Sem os buyouts, a empresa "quase certamente" partiria para demissões obrigatórias.

O contraste com os números de captação chama atenção. Em março de 2025, a Flock levantou US$ 275 milhões liderados pela Andreessen Horowitz, avaliando a empresa em US$ 7,5 bilhões — alta frente aos US$ 4,8 bilhões de 2024. Em abril deste ano, uma nova rodada de ações elevou o valuation para US$ 8,4 bilhões. No mesmo período, o ARR (receita recorrente anual) saltou de US$ 285 milhões no fim de 2024 para US$ 450 milhões em outubro de 2025, crescimento de cerca de 70% ano a ano. Ou seja: o dinheiro dos fundos ainda entra fácil, mas o produto começou a incomodar quem paga a conta — as prefeituras.

Quem ganha e quem perde

Quem ganha, por ora, são os fundos que compraram na última rodada — a16z, Greenoaks, Bedrock, Founders Fund, Tiger Global e Y Combinator, entre outros — apostando que a receita continuará subindo mesmo com a reputação em queda. Quem perde é o funcionário no meio do caminho: o buyout tenta conter a fuga de moral interna sem admitir publicamente que o crescimento comercial não compensa mais o desgaste de imagem.

A pressão vem de fora para dentro. Em agosto, o Washington Post identificou 46 casos de policiais acusados de usar indevidamente o sistema de reconhecimento de placas. No mesmo mês, 90 cidades e condados cancelaram contratos com a Flock — quatro vezes mais que no mês anterior. Texas e Flórida foram além: o governador do Texas proibiu o uso de recursos públicos estaduais nas câmeras da empresa, enquanto a Flórida ordenou a remoção de todos os ALPRs das rodovias estaduais em até 30 dias, citando "relatos preocupantes de uso indevido" e problemas de privacidade de dados.

O episódio ilustra uma tensão comum entre startups de vigilância nos EUA: valuation bilionário conquistado com contratos públicos pode desmoronar rapidamente quando a opinião pública vira contra a tecnologia — e é o time interno, não o board, quem sente o baque primeiro.

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