
Foguete sul-coreano falha em Alcântara, mas Brasil segue no radar espacial
SEBIT, da InnoSpace, perdeu trajetória 35 segundos após decolar do Maranhão e foi destruído em pleno voo; ninguém se feriu e o Brasil mantém a base como destino de lançamentos privados.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Um foguete de cerca de três toneladas de empuxo — o suficiente para arrancar do chão em segundos e cruzar a barreira do som antes de a maioria das pessoas terminar de erguer o celular pra filmar — decolou às 16h30 do dia 19 de agosto do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Trinta e cinco segundos depois, já não seguia mais o caminho para o qual tinha sido programado. O que veio a seguir foi um procedimento de segurança, não um acidente: o Sistema de Terminação de Voo (FTS) foi acionado e o veículo caiu no Oceano Atlântico, dentro da zona de segurança marítima pré-estabelecida para a operação.
O que está confirmado
Foto: reprodução/aereo.jor.br
O foguete SEBIT, veículo suborbital de estágio único desenvolvido pela sul-coreana InnoSpace, apresentou um desvio de trajetória durante a subida. Os sistemas de rastreamento da Força Aérea Brasileira (FAB) identificaram o problema e a missão foi interrompida conforme os protocolos de segurança aplicáveis às operações em Alcântara — não houve vítimas nem danos à estrutura do centro de lançamento. Não houve transmissão ao vivo nem imprensa presencial no momento do lançamento; os registros que circularam vieram de um drone da própria InnoSpace.
A InnoSpace afirmou ter coletado dados relevantes dos sistemas de propulsão, navegação, guiagem, controle e da plataforma de lançamento, que agora serão analisados para apurar a causa exata do desvio — a empresa ainda não divulgou publicamente qual foi. É o segundo revés da companhia em Alcântara em oito meses: em dezembro de 2025, o foguete orbital HANBIT-Nano já havia falhado por problema na vedação da câmara de combustão.
O que é hipótese (ainda sob investigação)
Ainda não se sabe se a causa do desvio foi falha de propulsão, problema aerodinâmico de controle, falha de navegação ou erro de software — os relatos até agora, incluindo o da Força Aérea, tratam a origem do problema como matéria de apuração técnica em andamento, não como fato estabelecido.
O contexto que fica
Apesar da falha, a InnoSpace mantém os planos de uma nova tentativa de lançamento do HANBIT-Nano em novembro de 2026, também a partir de Alcântara, já incorporando ajustes da investigação em curso. Para o Brasil, o episódio funciona como teste de maturidade operacional: mesmo com o fracasso da missão, o sistema de segurança funcionou como projetado, e a base segue sendo procurada por operadores privados estrangeiros — sinal de que o país ainda tenta consolidar espaço no mercado global de lançamentos comerciais, mesmo que o caminho, como mostrou agosto, ainda tenha solavancos.