
Foguete Vulcan volta a voar em 13 de novembro com 6 propulsores
Depois de nove meses parado por falha nos bicos dos propulsores sólidos, o foguete da ULA retoma voos levando 40 satélites da constelação Amazon Leo.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: nove meses parado por causa de um bico de poucos metros
Pra entender o tamanho do problema: o foguete Vulcan, da United Launch Alliance (ULA) — joint venture entre a Boeing e a Lockheed Martin para lançamentos espaciais —, ficou nove meses sem voar por uma falha nos bicos dos propulsores sólidos fabricados pela Northrop Grumman, peças que direcionam o empuxo na decolagem. Agora, a ULA confirma retorno ao voo em 13 de novembro — uma sexta-feira 13.
O que está confirmado
A missão vai levar 40 satélites da Amazon Leo, constelação de internet via satélite da Amazon que compete diretamente com a Starlink, da SpaceX. Será a primeira vez que o Vulcan voa com o complemento total de 6 propulsores sólidos (modelo GEM-63XL) — até agora, o foguete só havia voado com 4. A ULA diz ter identificado a causa da falha, ocorrida numa missão de fevereiro de 2026 que carregava carga classificada da Força Espacial americana, e aplicado um novo desenho de bico para o lançamento de novembro.
O que ainda é expectativa, não fato
A ULA tem contrato para 38 lançamentos do Vulcan dedicados só à Amazon Leo — a maior encomenda comercial de lançamentos da história —, além de 8 lançamentos remanescentes do foguete Atlas V para o mesmo cliente. Mas o sucesso desse retorno ao voo com 6 propulsores ainda não está testado: é a primeira vez nessa configuração, e só o lançamento de novembro vai confirmar se o novo desenho de bico realmente resolveu o problema.
Por que isso importa além da ULA
A empresa enfrenta pressão financeira como provedora pura de lançamentos, com margens baixas e rumores recorrentes de venda por parte de suas controladoras. Um retorno ao voo bem-sucedido é também uma prova de confiabilidade: a Amazon está comprando até 83 lançamentos de três fornecedores diferentes (Arianespace, Blue Origin e a própria ULA) para erguer sua constelação — e cada atraso da ULA empurra mais desse volume para os concorrentes.