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IAMercado25 de ago. de 2026, 12:20

Folha de S.Paulo processa Perplexity por uso indevido de reportagens

Processo também pede indenização pelo uso indevido das reportagens no treinamento dos modelos de IA e pela entrega de resumos e cópias de matérias jornalísticas aos internautas.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Um jornal, um robô e a conta que não fechou

Imagine que você é dono de uma padaria e descobre que um vizinho está entrando de madrugada, levando pães fresquinhos e revendendo fatias avulsas na esquina, sem pagar nada por isso. É mais ou menos essa a lógica por trás do processo que a Folha de S.Paulo moveu contra a Perplexity, empresa americana de inteligência artificial conhecida por seu buscador que responde perguntas em vez de só listar links.

A ação corre na Justiça de São Paulo e já teve uma primeira decisão: o juiz determinou que a Perplexity se manifeste em até 72 horas. Não é pouca coisa — em bom português, é a Justiça dizendo "eu vi, agora explique-se rápido".

Foto: reprodução/startse.com

As três acusações, traduzidas

A advogada da Folha, Taís Gasparian, resumiu o processo em três frentes. A primeira é concorrência desleal: a tese é que a Perplexity usaria o trabalho da reportagem para competir com o próprio jornal pela atenção do leitor, sem pagar o preço que esse trabalho custou para existir. A segunda é violação de paywall, driblar a barreira que separa quem paga assinatura de quem não paga. A terceira, mais comum no debate sobre IA generativa, é violação de direitos autorais — o uso de reportagens para treinar os modelos, sem autorização nem remuneração.

Em suas palavras, a advogada resumiu o incômodo: "o enorme esforço que o bom jornalismo faz para se manter em pé é vilipendiado com o aproveitamento desautorizado". É uma frase que carrega um argumento maior: produzir notícia dá trabalho, custa dinheiro, exige apuração — e a IA, ao resumir ou reproduzir esse conteúdo de graça para o usuário, colheria os frutos sem plantar a árvore.

Por que a Folha processa uns e negocia com outros

Aqui mora o contraponto que o leitor mais cético vai cobrar: por que processar a Perplexity e não todo mundo? Porque a Folha já percorreu o caminho da negociação com outras gigantes. Fechou parceria com o Google em 2025 para alimentar o Gemini e, em maio de 2026, chegou a acordo com a OpenAI — depois de também ter processado a empresa em 2025. Ou seja, o processo contra a OpenAI virou negócio; o da Perplexity, por ora, é briga na Justiça.

O caso não é isolado nem original. Nos Estados Unidos, o New York Times processa OpenAI e Microsoft desde 2023 por motivos parecidos, cobrando indenização bilionária. O que está em jogo, no fundo, é uma pergunta que toda redação do mundo está tentando responder: quem paga a conta do jornalismo quando a informação passa a chegar ao leitor mastigada por um robô, sem nem clicar na fonte original? Até o fechamento desta matéria, a Perplexity não havia se posicionado publicamente sobre o processo.

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