
Fones bizarros e caríssimos: o que rolou na CanJam 2026
A feira boutique de áudio de alta fidelidade CanJam SoCal 2026 reuniu in-ears de US$ 7.500 com nove drivers, planares com Wi-Fi embutido e até um preamp valvular no meio das novidades. Bruno Vilela separou o que valeu a atenção e o que provavelmente nunca vai custar menos por aqui.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A CanJam é aquele tipo de feira que só quem vive obcecado por áudio conhece de verdade: um evento itinerante organizado pelo fórum Head-Fi.org, dedicado exclusivamente a fones de ouvido e equipamentos de alta fidelidade para audiófilos. A edição SoCal 2026 aconteceu em 29 e 30 de agosto no Irvine Marriott, na Califórnia, com espaço de expositores esgotado — a maior edição já realizada do evento. Não tem Bose, não tem Apple. É terreno de marca boutique, e é exatamente aí que a coisa fica interessante.
O in-ear de US$ 7.500 com nove drivers
O grande espetáculo ficou por conta do Campfire Audio Chimera, marca americana conhecida entre audiófilos por seus in-ears usinados à mão. São nove drivers dentro de cada monitor intra-auricular, num design que a empresa chama de "quad-brid": um driver dinâmico para graves, uma armadura balanceada de duplo diafragma para médios, mais duas armaduras para agudos, quatro tweeters eletrostáticos para dar ar ao som e ainda um driver de condução óssea encaixado na carcaça. O Chimera já tinha estreado na CanJam Singapura em maio, mas foi um dos pratos principais da edição americana. Preço: US$ 7.500. Convertendo direto, sem imposto, já dá mais de R$ 40 mil — e isso antes de pensar em importação. Vale o preço no Brasil? Nem chega a ser pergunta: não há previsão de venda por aqui, e um fone desse calibre provavelmente nunca vai aparecer em prateleira nacional a preço de tabela.
Planar com Wi-Fi embutido e um clássico remasterizado
A HiFiMan, veterana dos planares magnéticos, trouxe o Arya WiFi, versão do já conhecido Arya com DAC HIMALAYA e amplificador embutidos — ou seja, dá pra tocar áudio em alta resolução direto do fone, sem amplificador externo. Custa US$ 1.449. A empresa também exibiu o HE6 Remastered, retomada de um modelo histórico da marca, por US$ 1.899. É a lógica de sempre: pegar um clássico querido pelos audiófilos e trazer de volta com componentes atualizados, cobrando o preço de uma geração mais cara.
Do fechado ao valvular
A Dan Clark Audio mostrou o Aeon Core, fone fechado planar magnético de US$ 900, com soundstage generoso para um modelo fechado — categoria que costuma soar mais "abafada" que os abertos. Já a Noble Audio aproveitou a feira para lançar quatro produtos, incluindo o Osprey, um intra-auricular sem fio (TWS) de US$ 199, mostrando que nem tudo na CanJam é para bolsos gordos. No extremo mais excêntrico, a Écoute apresentou o TH2, headphone com preamplificador valvular (usando uma válvula 6P1), amplificação dual-mono, cancelamento de ruído e equalizador de 8 bandas — um projeto nascido de campanha no Kickstarter. E para quem só quer economizar, a Fosi Audio mostrou in-ears com fio por menos de US$ 150.
Vale a pena?
A maior parte desse catálogo nunca vai desembarcar oficialmente no Brasil, e quando chega, é via importação paralela com preço dobrado ou triplicado. Mas a CanJam continua sendo um bom termômetro: mostra que fone de ouvido também é laboratório de experimentação, do driver de condução óssea ao amplificador valvular. Fica a provocação de sempre: será que essas ideias malucas um dia baixam pra faixa de preço que cabe no bolso do consumidor comum, ou vão continuar reservadas a quem tem US$ 7.500 sobrando para gastar num único par de fones?