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Mercado12 de ago. de 2026, 23:46

Form Energy capta US$ 750 milhões para ampliar fábrica de baterias de 100 horas

A startup de armazenamento de energia, que já vende para Google e Crusoe, levantou uma Série G de US$ 750 milhões liderada pela T. Rowe Price para expandir a manufatura de baterias de ferro-ar capazes de descarregar por até 100 horas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 750 milhões para escalar a fábrica

A Form Energy fechou uma rodada Série G de US$ 750 milhões liderada pela gestora T. Rowe Price, com a soma total captada pela empresa desde a fundação já ultrapassando US$ 2 bilhões. O dinheiro tem destino certo: acelerar a expansão da fábrica em Weirton, na Virgínia Ocidental, e sustentar um backlog comercial que já soma cerca de 80 gigawatt-horas de armazenamento contratado — quatro vezes mais do que no início do ano.

A lista de investidores mistura peso financeiro e nomes ligados à pauta climática: Sequoia Capital, Janus Henderson, Franklin Templeton, TPG Rise Climate, Breakthrough Energy Ventures (fundo ligado a Bill Gates), Coatue, GE Vernova e o casal Dustin Moskovitz e Cari Tuna, entre outros. É uma rodada robusta para uma companhia que fabrica hardware pesado — setor historicamente mais difícil de financiar que software, mas que vem atraindo capital em escala por causa da corrida por energia para data centers de IA.

A tecnologia por trás do número

O diferencial da Form Energy é a bateria de ferro-ar, capaz de descarregar energia continuamente por até 100 horas — muito além das quatro a oito horas típicas das baterias de lítio usadas hoje na rede elétrica. A química é literalmente enferrujar e desenferrujar: o ferro se oxida ao descarregar e volta ao estado original na recarga, dispensando minerais caros como lítio, cobalto e níquel. Cerca de 80% dos materiais usados são de origem americana, com o restante vindo da Europa e da Ásia, sem depender da China — um ponto sensível em um momento de tensão geopolítica nas cadeias de suprimento de baterias.

Quem ganha com a aposta

Google já é o maior cliente público da empresa: pagou cerca de US$ 1 bilhão por uma bateria de 30 gigawatt-hora que vai parcialmente alimentar um novo data center em Minnesota. A Crusoe, que roda infraestrutura de computação para IA, fechou compra de 12 gigawatt-horas em março. Completam a lista de clientes a concessionária Xcel Energy e a irlandesa FuturEnergy Ireland. Para essas empresas, a aposta na Form Energy é uma forma de garantir energia confiável e mais barata em um cenário no qual o consumo elétrico de data centers deve quadruplicar até 2035, segundo estimativas do setor — e no primeiro trimestre de 2026 os EUA já instalaram 9,7 gigawatt-horas de armazenamento, 32% mais que no ano anterior. Quem sai atrás são os fabricantes de baterias de lítio tradicionais, que veem uma alternativa de custo mais baixo ganhar tração justamente no segmento de armazenamento de longa duração, ainda pouco explorado por elas.

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