
Foursquare captou US$ 411 milhões e deu retorno zero a acionistas na venda
Dennis Crowley, cofundador do Foursquare, diz que nem acionistas preferenciais nem ordinários receberam um centavo na aquisição da rede de geolocalização pela Infillion.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 411 milhões captados, US$ 0 devolvidos aos acionistas
Esse é o resumo mais cruel da trajetória do Foursquare, antiga rede social de geolocalização que virou referência em check-ins no início dos anos 2010. Segundo dados do PitchBook, a empresa levantou mais de US$ 411 milhões em 17 anos de operação — e, de acordo com o cofundador Dennis Crowley, nenhum desse capital voltou para quem investiu quando a companhia foi finalmente vendida.
O que Crowley disse
Em um texto publicado em seu Substack, Crowley afirmou que tanto os detentores de ações preferenciais quanto os de ações ordinárias — ou seja, investidores institucionais e fundadores/funcionários — ficaram com zero na transação final. Ele descreveu o desfecho como motivo de estar heartbroken (de coração partido) e atribuiu boa parte da responsabilidade à transição de liderança ocorrida em 2021, quando um banqueiro que havia liderado uma rodada de private equity em 2019 assumiu o cargo de CEO. Para Crowley, a gestão seguinte não conseguiu preservar nem criar valor novo para a empresa.
A aquisição pela Infillion
O comprador final foi a Infillion, empresa de publicidade especializada em dados de localização, que adquiriu o Foursquare em valor não divulgado. A transação fecha um ciclo que já vinha de queda: o aplicativo de consumo original, aquele que tornou o Foursquare famoso pelos check-ins e badges, foi encerrado em 2024, depois de anos de tentativa de pivô para um modelo de negócios corporativo (B2B) de dados de localização — pivô que, a propósito, chegou a gerar receitas acima de US$ 100 milhões em anos consecutivos antes da venda.
Quem ganha e quem perde
Quem sai ganhando aqui é a Infillion, que compra uma base de dados de localização madura e testada por mais de uma década sem precisar pagar um prêmio relevante aos acionistas anteriores — típico de uma aquisição distressed. Quem perde é a cadeia completa de investidores que apostou nos sucessivos rounds do Foursquare ao longo de quase duas décadas, do capital de risco inicial ao private equity que entrou em 2019, além dos próprios fundadores, que viram uma das marcas mais hypadas do Web 2.0 fechar sem gerar retorno algum. O caso se soma a uma lista cada vez maior de unicórnios e quase-unicórnios da era 2008-2012 que não sobreviveram à travessia para modelos de negócio sustentáveis — um alerta e tanto para qualquer investidor avaliando startups de consumo que tentam se reinventar como provedoras de dados corporativos.