
Freada brusca, pulso torto: robotáxis machucam motoristas de teste nos EUA
Levantamento da TechCrunch em dados enviados à OSHA mostra mais de duas dezenas de lesões em motoristas de teste da Waymo e da Zoox em 2024 e 2025, quase todas ligadas a frenagens bruscas dos carros autônomos.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Pra quem anda na rua, a pergunta é simples: quem paga a conta disso?
Enquanto Waymo e Zoox comemoram a expansão dos robotáxis por mais bairros e mais cidades, uma dor de cabeça (literal) ficou de fora do discurso de marketing: os próprios motoristas de teste que acompanham os carros autônomos estão se machucando. Um levantamento da TechCrunch em registros enviados à OSHA, a agência de segurança e saúde ocupacional dos Estados Unidos, identificou mais de duas dezenas de lesões só em 2024 e 2025.
O que mudou de um ano para o outro
Foto: reprodução/techcrunch.com
Na Waymo, o número de lesões saltou de 5 casos em 2024 para 11 em 2025, todos concentrados em três mercados: São Francisco, Los Angeles e Phoenix — justamente onde a frota comercial cresceu para mais de 1.500 veículos até maio de 2025. A causa, segundo os documentos, é quase sempre a mesma: frenagem brusca. Um motorista em Phoenix ficou 157 dias afastado do trabalho depois que o carro fez uma "frenagem exagerada sem nenhum obstáculo à vista". Outro, em Los Angeles, passou 175 dias fora após um episódio parecido. Já a Zoox teve até 8 lesões registradas no período, sete delas também associadas a paradas bruscas.
Entorses, dores e whiplash: o preço de escalar rápido
Os boletins descrevem entorses, distensões, dores lombares, lesões no ombro, nas costelas e na coluna, além do clássico whiplash (o chicote cervical de freadas repentinas). Em um dos casos, o carro "recuou de repente" e girou o volante com força, torcendo o pulso do motorista, que ficou dois meses afastado.
Quem fiscaliza isso, afinal?
Procurada pela TechCrunch, a Waymo não quis comentar os registros feitos à OSHA. A Zoox reconheceu que frenagens bruscas às vezes são inevitáveis, mas argumentou que as lesões representam uma fração pequena diante dos milhões de quilômetros rodados pela frota de testes. O problema é que esse cálculo de "fração pequena" não aparece em nenhum painel público comparável entre cidades — e é justamente isso que falta: um lugar único onde o cidadão de São Francisco, Phoenix ou Los Angeles possa comparar, cidade a cidade, quantos incidentes acontecem, quanto custam os afastamentos e quem, de fato, audita essas frotas antes que elas cheguem à esquina de casa.
Para acompanhar
Com as empresas mirando mais cidades — e mais carros por rua —, a pergunta que fica é se a fiscalização vai crescer no mesmo ritmo da frota, ou se vai continuar dependendo de reportagens para vir à tona.