
FTA libera US$ 1,28 bi para trem de passageiros de Utah
A Federal Transit Administration anunciou aporte bilionário para o FrontRunner 2X, que vai ampliar em 60% a capacidade do trem entre Ogden, Salt Lake City e Provo. Democratas questionam a seletividade da escolha frente a projetos similares em Boston e Los Angeles.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Quase US$ 1,3 bilhão para destravar o FrontRunner
A Federal Transit Administration (FTA), agência federal de transportes dos Estados Unidos, anunciou em 7 de agosto um aporte de US$ 1,28 bilhão para o projeto FrontRunner 2X, que vai ampliar o trem de passageiros que liga as cidades de Ogden, Salt Lake City e Provo, em Utah. O dinheiro sai do programa federal Capital Investment Grants (CIG) e é destinado ao Departamento de Transportes de Utah (UDOT) e à Utah Transit Authority (UTA).
Na prática, o que o morador de Utah ganha com isso? A linha atual, de 82 milhas e 16 estações, deve ter sua capacidade, frequência e disponibilidade de trens ampliadas em pelo menos 60%. O projeto prevê uma segunda via férrea em alguns trechos, uma nova estação e mais dez composições de trem ao longo de um corredor de 83 milhas.
Quem paga e quando sai do papel
O valor anunciado ainda não é dinheiro na conta: a concessão está condicionada à conclusão de exigências financeiras, técnicas e legais, além de depender de alocações do Congresso americano. Por enquanto, o recurso liberado serve para bancar engenharia, demolição, realocação de utilidades, aquisição de propriedades e compra de equipamentos especializados — não a obra em si.
Segundo o cronograma da FTA, a construção deve começar em 2027 e terminar em 2030.
A pergunta que fica: por que Utah e não Boston ou LA?
O anúncio já gerou desconforto político. Democratas questionaram a seletividade da escolha, apontando que a FTA ainda mantém US$ 1,9 bilhão em fundos não comprometidos que poderiam beneficiar projetos de transporte semelhantes em Boston e Los Angeles, também pendentes de aprovação.
É a pergunta que todo cidadão deveria fazer diante de um cheque bilionário: quem decide qual cidade recebe prioridade, com base em que critério técnico — e quem fiscaliza se o dinheiro efetivamente chega aos trilhos nos prazos prometidos? Projetos de infraestrutura de transporte público nos EUA historicamente sofrem atrasos e estouros de orçamento, o que reforça a necessidade de acompanhamento público sobre como os US$ 1,28 bilhão serão de fato gastos entre 2027 e 2030.