
FTC distribui US$ 23,8 milhões de acordo do Grubhub a clientes e entregadores
Mais de 640 mil consumidores e entregadores do Grubhub começam a receber cheques do acordo firmado com a FTC após denúncias de práticas enganosas. A empresa é acusada de mentir sobre ganhos de entregadores e cobrar taxas abusivas de clientes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 23,8 milhões voltando para o bolso de quem foi lesado
A Federal Trade Commission (FTC) começou a enviar pagamentos que somam mais de US$ 23,8 milhões a 640.038 consumidores e entregadores do Grubhub, resultado do acordo que a empresa fechou após ser acusada de práticas enganosas na plataforma. A maior parte dos beneficiários vai receber cheque pelo correio; uma parcela menor recebe o valor via PayPal. Quem for pago por cheque tem até 90 dias para descontá-lo, enquanto os pagamentos via PayPal precisam ser resgatados em até 30 dias.
O que a FTC encontrou
O processo, movido em conjunto com o procurador-geral de Illinois, apontava uma série de condutas questionáveis do Grubhub. Entre elas, a de fazer promessas enganosas sobre quanto os entregadores poderiam ganhar na plataforma — um dos pontos mais sensíveis, já que atrai trabalhadores com expectativas de renda que não se confirmavam na prática. A empresa também era acusada de restringir o acesso de clientes às próprias contas e a fundos, sem oferecer um caminho claro para contestar bloqueios.
Outro ponto grave: o Grubhub teria listado cerca de 325 mil restaurantes na plataforma sem autorização, inflando artificialmente o tamanho do catálogo oferecido aos usuários — e, segundo a denúncia, se recusando a retirar esses estabelecimentos quando eles pediam para sair. Consumidores também reclamavam de taxas extras, cobradas como "serviço" ou "pedido pequeno", que em alguns casos mais que dobravam o valor final da compra.
Quem sai ganhando — e o que muda daqui pra frente
Os grandes beneficiados agora são os próprios usuários da plataforma: consumidores que pagaram taxas escondidas e entregadores que tiveram expectativas de ganho distorcidas. Como parte do acordo, o Grubhub também se comprometeu a mudanças estruturais — anunciar de forma honesta o quanto os entregadores podem ganhar, criar uma ferramenta para clientes contestarem bloqueios de conta e passar a listar apenas restaurantes que deram consentimento explícito.
O caso se soma a uma lista crescente de aplicativos de delivery sob escrutínio regulatório nos Estados Unidos, num momento em que autoridades de proteção ao consumidor têm mirado justamente a relação entre plataformas, taxas pouco transparentes e a real remuneração de quem trabalha por elas. Para o setor, fica o recado: promessas de ganho e cobranças extras vêm sendo tratadas cada vez mais como risco jurídico, não só de reputação.