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Mercado01 de nov. de 2026, 22:02

Fujifilm multiplica por 5 produção de fitas magnéticas por causa da IA

A Fujifilm vai investir 10 bilhões de ienes para quintuplicar a produção de fitas de dados até 2028, aposta direta na demanda de armazenamento barato gerada pelos data centers de IA. É o maior investimento da empresa no setor em duas décadas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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A Fujifilm, fabricante japonesa mais conhecida por filmes e câmeras fotográficas mas que também é peso-pesado em mídias de armazenamento corporativo, vai multiplicar por cinco a produção de fitas magnéticas para armazenamento de dados. O investimento é de 10 bilhões de ienes, cerca de 63 milhões de dólares, o maior aporte da empresa nesse segmento em duas décadas. O dinheiro vai para a fábrica de Kanagawa, na cidade de Odawara, e o plano roda do ano fiscal de 2026 até 2028, com meta de multiplicar por cinco o volume que a empresa embarcou no ano fiscal de 2025.

IA sem lugar para guardar dado

O gatilho tem nome e sobrenome: inteligência artificial generativa. Data centers de hiperescala geram dados em ritmo exponencial, e nem tudo cabe, ou faz sentido financeiro, em disco ou SSD. A fita, tecnologia que muita gente dava por morta, volta a fazer sentido comercial: o custo por terabyte pode ficar em um quarto do disco rígido, e ainda menor frente a SSD. Para o chamado cold data, informação raramente acessada mas que ninguém quer perder, isso é decisivo. Tem outro trunfo: a fita pode ficar fisicamente isolada da rede, defesa natural contra ransomware.

O cartucho da vez

O foco da expansão é o cartucho LTO Ultrium 10, padrão de fita magnética para datacenters lançado em 2025, com capacidade nativa de 30 a 40 terabytes e transferência de 400 megabytes por segundo, chegando a até 100 terabytes por cartucho com compressão. A tecnologia usa partículas magnéticas híbridas de ferrita de bário e ferrita de estrôncio, evolução da ferrita de bário que a própria Fujifilm comercializa desde 2011. O roadmap do padrão LTO, mantido pelo consórcio formado pela fabricante de servidores HPE, pela IBM e pela fornecedora de storage Quantum Corp, não para ai: a geração 11 deve chegar a 70 terabytes por volta de 2029, a 12 a 120 terabytes, a 13 a 210 terabytes e a 14 a 365 terabytes por cartucho, em ciclos de atualização de cerca de quatro anos.

Recorde a caminho

O timing não é por acaso. As vendas de cartuchos LTO recuaram de 176,5 exabytes em 2024 para 160,3 exabytes em 2025, mas a projeção para 2026 é de volume recorde, sinal de que a demanda represada por IA já aparece nos números.

Quem ganha e quem perde

Quem ganha é a própria Fujifilm, que reforça posição de fornecedora estratégica para nuvem e hiperescala num nicho sem muita concorrência direta de peso. Ganham também os operadores de data center, que encontram saída barata e seca para arquivar o dilúvio de dados de treinamento e inferência de IA sem estourar o orçamento de armazenamento. Quem sente a pressão são os fabricantes de disco rígido e SSD voltados a armazenamento frio: todo dado que migra para fita é receita que não cai no colo deles. Fita não é mais tecnologia de museu, é infraestrutura crítica da era da IA.

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