tech & talk
Mercado27 de out. de 2026, 12:40

Funcionários da Boston Dynamics pedem fim de venda de robôs ao ICE

Mais de 300 funcionários assinaram petição contra contrato de US$ 1,3 milhão que leva robôs Spot à agência de imigração dos EUA. A empresa decidiu manter o acordo.

Por Marcos Silva · Repórter de plantão

Compartilhar

O contrato

Mais de 300 funcionários da Boston Dynamics, fabricante americana dos robôs Spot e Atlas e pioneira em robôs com pernas, assinaram uma petição contra a venda de robôs à ICE, a agência federal de imigração e alfândega dos Estados Unidos. A empresa tem entre 1.400 e 1.500 funcionários no total. Quase metade das assinaturas aparece como anônima.

O contrato vale US$ 1,3 milhão. Foi fechado em setembro de 2026. Prevê quatro robôs Spot e tecnologia adicional. A entrega passa pela Radeco, parceira de Connecticut que modifica a plataforma padrão do Spot. As unidades customizadas ganharam nome: "Cerberus".

O kit inclui braço robótico, câmera térmica e sensores para detectar radiação e explosivos. A Homeland Security Investigations, divisão ligada ao ICE, vai usar os robôs para inspecionar túneis, vãos e topos de armários na fronteira.

A petição foi enviada à liderança da empresa no início de setembro. O texto, obtido pela rádio pública WBUR, diz que a venda associa a marca da empresa ao trabalho direto com o ICE — agência que, segundo os funcionários, "trabalhou para espalhar medo" pelo país. O argumento central não é sobre armas: é sobre capacidade de vigilância, navegação autônoma e inspeção remota, que podem habilitar operações prejudiciais mesmo sem uma arma anexada ao robô.

A liderança da Boston Dynamics decidiu manter o contrato. A posição oficial da empresa diz que os termos de venda do Spot proíbem uso para ferir ou intimidar pessoas e animais, uso como arma ou uso para habilitar uma arma.

Fica em aberto um ponto: a petição não tem poder de veto. A decisão final é da empresa — e ela já decidiu.

boston dynamicsicerobóticaeua
Compartilhar