
Fundadores da Furo trocaram o Vale do Silício por Munique — e a aposta deu certo
A Furo, startup alemã de software para baterias industriais, captou US$ 4 milhões liderados pela gestora americana TQ Ventures após os três fundadores decidirem construir a empresa na Alemanha em vez dos Estados Unidos.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 4 milhões para software de baterias industriais
A Furo, startup de Munique que desenvolve software para planejar, monitorar e comercializar sistemas de armazenamento de energia em baterias industriais, levantou uma rodada de US$ 4 milhões liderada pela gestora americana TQ Ventures. Participaram também a Neo, a Sandberg Bernthal Venture Partners — fundo ligado a Sheryl Sandberg, ex-executiva do Facebook — e o Center for Digital Technology and Management (CDTM), programa acadêmico de Munique que funcionou como ponte da startup até o Vale do Silício.
A empresa, registrada como Delaware C Corp e antes chamada Lumera Energy, foi fundada em 2025 por Lena Sophia Voß, Leonie Wagner e Simon Wittner, todos com 28 anos e formados pela Universidade Técnica de Munique, com passagens por Stanford, UC Berkeley e pelo próprio CDTM. Antes de empreender, o trio passou por Apple, pela unidade de projetos experimentais Google X, da Alphabet, e por startups de inteligência artificial.
Ficar na Alemanha foi a decisão estratégica
O diferencial da história, segundo o TechCrunch, é que os fundadores optaram por construir a empresa a partir de Munique em vez de migrar para o Vale do Silício — trajetória oposta à maioria das startups europeias de peso, que costumam buscar investidores e sede nos Estados Unidos. A proximidade com a indústria alemã, historicamente forte em manufatura e energia, ajudou a Furo a fechar clientes como a Deutsche Bahn, a operadora ferroviária estatal alemã, e a somar mais de cem clientes pagantes na plataforma.
A startup usa otimização matemática e machine learning para tornar baterias industriais mais inteligentes, permitindo operação multiuso e despacho otimizado de energia — tecnologia que já resultou em projetos de armazenamento em operação real, incluindo um piloto recente com a Luox Energy para otimização de baterias comerciais em ciclos de 15 minutos.
O que isso sinaliza para o mercado europeu
O caso da Furo se soma a um movimento de startups alemãs de energia atraindo capital americano sem abrir mão da base local — a gestora TQ Ventures, dos EUA, aposta que a proximidade da Furo com clientes industriais europeus é justamente o que justifica manter a operação em Munique. Para investidores, é sinal de que nem toda tese climática e energética precisa passar pelo Vale do Silício para conseguir cheque relevante.