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Mercado10 de set. de 2026, 21:28

Fundadores e investidores europeus pedem que UE não dilua o "EU Inc"

Carta aberta assinada por investidores como Sequoia e Accel e por fundadores de unicórnios como Mistral e ElevenLabs alerta que o novo estatuto corporativo pan-europeu perderá sentido se for enfraquecido nas negociações finais.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Cerca de 100 dias: é o tempo que resta antes do recesso de inverno europeu para o Parlamento Europeu e o Conselho da UE fecharem o texto final do "EU Inc", proposta de estatuto corporativo único para toda a União Europeia. É essa urgência que motivou uma carta aberta, divulgada nesta semana, alertando que a legislação não pode ser "enfraquecida em suas características centrais" sob risco de se tornar inutilizável.

Quem assina

A carta reúne nomes de peso do ecossistema europeu de startups. Do lado dos investidores, assinam a sócia da Accel Sonali De Rycker, o sócio da Sequoia Michael Moritz e o fundador da gestora de venture capital Atomico Niklas Zennström. Do lado dos fundadores, o apoio vem de empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, entre elas a francesa de inteligência artificial Mistral, a plataforma de voz sintética ElevenLabs, a startup de programação por IA Lovable, a healthtech Alan e a empresa de vídeo com IA Synthesia.

O que está em jogo

O EU Inc é uma proposta para criar um estatuto corporativo unificado em todo o bloco europeu, funcionando como uma espécie de equivalente ao Delaware C Corp americano — o formato jurídico usado pela maioria das startups de tecnologia nos Estados Unidos por sua simplicidade e previsibilidade. A ideia é permitir que empresas se incorporem sob um único marco regulatório e operem em qualquer país da União Europeia sem precisar lidar com 27 sistemas jurídicos nacionais diferentes. Entre as demandas específicas da carta estão a criação de um registro central único e a garantia de que funcionários só sejam tributados sobre opções de ações no momento em que efetivamente as vendem — hoje um dos principais obstáculos para startups europeias atraírem talento com pacotes de equity competitivos.

Quem ganha e quem perde

Se aprovado sem diluições, o EU Inc favorece diretamente fundadores e investidores de startups, que ganhariam um caminho mais simples e barato para expandir operações por toda a Europa — hoje fragmentada em regimes nacionais distintos que encarecem e atrasam a expansão de negócios. A proposta já tem endosso das principais autoridades da União Europeia, mas uma associação de notários alemães já criticou pontos do texto, sinal de que a versão final pode sair diferente da idealizada pelo setor. Se o texto for esvaziado nas negociações entre Parlamento e Conselho, quem perde é o próprio objetivo declarado da iniciativa: reduzir a fricção e a fragmentação que, segundo os signatários, continuam prejudicando empresas europeias frente a concorrentes americanas e asiáticas na disputa por investimento e talento.

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