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Mercado11 de ago. de 2026, 18:58

Fundo de US$ 5,7 bi da UE estreia investindo € 450 mi na ICEYE

O Scaleup Europe Fund, gerido pela EQT com a Comissão Europeia como âncora, fez seu primeiro aporte ao co-liderar rodada de € 1 bilhão na finlandesa ICEYE, avaliada em mais de € 10 bilhões.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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€ 5 bilhões é a meta que a Europa acaba de começar a cumprir

Cinco bilhões de euros — cerca de US$ 5,7 bilhões na cotação atual — é o tamanho-alvo do Scaleup Europe Fund, o novo veículo público-privado que nesta terça-feira (11) anunciou seu primeiro cheque: uma fatia de € 450 milhões dentro de uma rodada Série F de € 1 bilhão na ICEYE, companhia finlandesa de inteligência via satélite. Com o aporte, a ICEYE passa a valer mais de € 10 bilhões.

O fundo é gerido pela gestora sueca EQT, que soma mais de € 291 bilhões em ativos sob gestão, e tem a Comissão Europeia como investidora-âncora, ao lado de nomes como Allianz, APG, CriteriaCaixa e Intesa Sanpaolo. Há ainda espaço para o fundo crescer: uma expansão futura pode levá-lo a € 25 bilhões (US$ 28,9 bilhões), segundo apuração da TechCrunch.

Quem ganha: startups europeias de capital intensivo

A lógica por trás do Scaleup Europe é resolver um problema recorrente do ecossistema europeu: empresas de setores que exigem muito capital — como espaço, semicondutores, IA e robótica — historicamente precisavam recorrer a investidores dos EUA ou da Ásia para bancar rodadas grandes, muitas vezes tendo que transferir sede ou operações para fora do continente. A ICEYE, fundada em 2014 e hoje com mais de mil funcionários, já havia recebido financiamento inicial via Horizon 2020, programa de pesquisa da UE.

O CEO da ICEYE, Rafal Modrzewski, resumiu o cálculo político por trás do dinheiro: "a inteligência baseada no espaço está se tornando infraestrutura crítica para governos, e o Scaleup Europe Fund existe para que empresas como a nossa não precisem deixar a Europa para competir globalmente". Já o managing partner da EQT, Per Franzén, chamou o aporte de "um grande momento para a Europa", apontando que o continente "provou sua capacidade de criar empresas de tecnologia de estágio inicial bem-sucedidas — o desafio agora é escalar esses negócios para se tornarem líderes globais".

Quem fica pressionado: o modelo antigo de funding europeu

Candidatos a gerir fatias futuras do fundo incluem gestoras como Eurazeo, Northzone, Vitruvian Partners e Atomico — sinal de que o Scaleup Europe pretende operar em rede, não como veículo único. O fundraising segue até 2027, e o mercado deve acompanhar de perto se o modelo consegue mesmo reter na Europa companhias que, no ciclo anterior, buscariam Wall Street ou fundos asiáticos para rodadas desse porte.

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