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MercadoCiência15 de ago. de 2026, 18:49

Fusão nuclear já captou US$ 7,1 bi, mas na mão de quem está esse dinheiro?

Startups de energia de fusão nuclear somam US$ 7,1 bilhões captados até agora, mas o grosso do capital está em poucas mãos: só Commonwealth Fusion Systems e Helion respondem por mais de US$ 7 bi somados.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 7,1 bilhões e a concentração que salta aos olhos

O setor de startups de energia de fusão nuclear já levantou US$ 7,1 bilhões em capital privado, segundo levantamento do TechCrunch atualizado em 15 de agosto. É um número que impressiona para uma tecnologia que ainda não colocou um único reator comercial em operação — mas o dado mais relevante não é o total, e sim a distribuição dele: a maior parte do dinheiro está concentrada em um punhado de empresas.

Duas empresas, mais da metade do bolo

Commonwealth Fusion Systems, spin-off do MIT, lidera com US$ 3,94 bilhões captados, incluindo uma rodada de US$ 1 bilhão fechada em julho. Logo atrás vem a Helion Energy, dos Estados Unidos, com US$ 3,2 bilhões — sustentada por um time pesado de investidores: Sam Altman, SoftBank Vision Fund 2, Reid Hoffman, KKR, BlackRock e o Mithril Capital, de Peter Thiel. A Helion também fechou uma Series G de US$ 465 milhões em junho.

Só essas duas companhias somam mais de US$ 7 bilhões — praticamente o total informado para o setor inteiro, o que escancara o quanto o capital de fusão nuclear está longe de ser pulverizado entre dezenas de players.

Quem mais aparece no radar

Abaixo desse patamar, a lista de empresas que já romperam a barreira dos US$ 100 milhões inclui a TAE Technologies (US$ 1,65 bilhão, com Google e Chevron entre os apoiadores), a Shine Technologies (US$ 1 bilhão) e a Pacific Fusion (mais de US$ 1 bilhão). Na sequência aparecem Proxima Fusion (US$ 682,9 milhões, com Google, RWE e Balderton Capital), Inertia Enterprises (US$ 450 milhões) e General Fusion (US$ 442 milhões, com Jeff Bezos e Temasek entre os investidores, e que estreou na Nasdaq em julho com um aporte adicional de US$ 127 milhões).

Completam o grupo Zap Energy (US$ 325 milhões, com Bill Gates via Breakthrough Energy Ventures e Chevron Technology Ventures), Tokamak Energy (US$ 284 milhões), Focused Energy (US$ 277 milhões), Marvel Fusion (US$ 208 milhões), Type One Energy (US$ 174,5 milhões), First Light Fusion (US$ 140 milhões), Kyoto Fusioneering (US$ 121 milhões), Thea Energy (US$ 120 milhões) e Xcimer (US$ 101 milhões).

O que está em jogo

A aposta dos investidores é que, se alguma dessas startups conseguir viabilizar comercialmente um reator de fusão, o prêmio é entrar em mercados bilionários hoje dominados por combustíveis fósseis e outras fontes de energia. É esse potencial de ruptura que explica nomes como Bezos, Gates, Altman e fundos soberanos como o Temasek circulando nas cap tables desse setor — mesmo sem previsão firme de quando, ou se, a fusão vai sair do laboratório para a rede elétrica.

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