
GAC derruba preço do GS4 Premium para R$ 159.990 e ataca o Song Pro
Montadora chinesa oferece desconto de R$ 32 mil no SUV híbrido GS4 Premium em venda direta para PcD, pressionando a BYD na guerra de preços dos híbridos no Brasil.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 159.990: o preço que acende a guerra dos híbridos
R$ 32 mil de desconto. É esse o corte que a GAC, montadora chinesa que vem acelerando a expansão no Brasil, aplicou no SUV híbrido GS4 Premium para disputar fatia de mercado com a BYD. Na promoção de venda direta para pessoas com deficiência (PcD), o carro saiu da tabela de R$ 191.990 para R$ 159.990 — queda de cerca de 16,7% — válida até o fim de setembro de 2026 ou enquanto durarem os estoques, segundo o Canaltech. A condição inclui ainda bônus comercial adicional, e o valor final mantém o modelo dentro do teto de R$ 200 mil para isenção de IPI destinada a PcD.
Por que o preço é a munição da vez
Foto: reprodução/mundodoautomovelparapcd.com.br
Não é força bruta de marketing: é mira. O alvo declarado é o BYD Song Pro, SUV híbrido que vinha sendo referência de entrada no segmento com preços que, em promoções e ofertas específicas, chegam a R$ 165.900 — mas cuja tabela oficial de versões GL gira em torno de R$ 176.990 a R$ 189.990, dependendo da configuração e do momento. Ou seja: mesmo no cenário mais otimista para a BYD, o GS4 Premium promocional da GAC fica abaixo, e isso em uma categoria onde cada milhar de reais pesa na decisão de compra.
Tecnicamente, o GS4 Premium não é modesto: sistema híbrido pleno com motor 2.0 a gasolina somado a propulsor elétrico, entregando 235 cv e 33,6 kgf/m de torque, com consumo declarado de 14,1 km/l na cidade e 11,8 km/l na rodovia. O pacote de bordo traz painel digital de 7 polegadas, central multimídia de 10,1 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay, além de 6 airbags, frenagem autônoma de emergência e assistente de permanência em faixa — equipamento de SUV premium a preço de entrada.
Quem ganha e quem sente a pressão
Quem sai ganhando de imediato é o consumidor PcD, que acessa um SUV híbrido robusto por um preço historicamente baixo para a categoria, turbinado pela isenção de impostos. A própria GAC ganha tração: mais vendas diretas significam mais volume e mais visibilidade num mercado brasileiro cada vez mais disputado por marcas chinesas.
Quem sente o aperto é a BYD, que até aqui dominava a narrativa de SUV híbrido acessível com o Song Pro e agora vê um rival chinês mirando exatamente seu público de entrada. A tendência é um efeito cascata: outras marcas asiáticas que miram o mesmo nicho — GWM, Chery e afins — dificilmente vão assistir de camarote enquanto o corte de preços se espalha pelo segmento de híbridos compactos no Brasil.