Galaxy A07 e A17 sobem até 109% no Brasil desde o lançamento
Samsung aplicou o segundo reajuste em menos de seis meses nos intermediários de entrada, e o A07 4G de 256 GB foi de R$ 1.099 para R$ 2.299. A alta é puxada pela crise global de memória RAM provocada pela demanda de data centers de IA.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Quando o preço de lançamento vira passado rápido demais
Lançados em setembro de 2025, Galaxy A07 e Galaxy A17 chegaram ao Brasil como a aposta da Samsung para quem queria a marca sem pagar caro. Um ano depois, o discurso não se sustenta mais: a companhia aplicou, em 6 de outubro, o segundo reajuste em menos de seis meses nessas linhas — o primeiro havia ocorrido em abril. O resultado é que o Galaxy A07 4G de 256 GB, que estreou a R$ 1.099, está hoje em R$ 2.299 na loja oficial da Samsung. Alta de 109%.
O que mudou (e o que não mudou) na especificação
Nenhum parafuso foi trocado. A configuração de hardware do A07 e do A17 é a mesma de setembro de 2025, o que torna o reajuste ainda mais difícil de engolir: o comprador paga mais do que o dobro pelo mesmo processador, pela mesma RAM e pelo mesmo armazenamento. No caso do A07 4G de 128 GB, a alta foi de 44,5%, saindo de R$ 899 para R$ 1.299. Já o A17 4G de 256 GB foi de R$ 1.599 para R$ 2.399 (+50%), e o A17 5G de 256 GB saltou de R$ 1.849 para R$ 2.699 (+46%). Segundo o Tecnoblog, os ajustes não pararam nessas duas famílias: Galaxy A27, A37 e A57 também sentiram o movimento.
Por que a conta não fecha mais
A justificativa não é ganância isolada da Samsung no Brasil — é um problema de cadeia de suprimentos que vem de fora. A explosão da demanda por chips de IA fez fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron redirecionarem linhas de produção para memória HBM e DRAM de servidor, mais lucrativas e usadas em data centers de inteligência artificial, encolhendo a oferta de RAM e armazenamento para celulares de consumo. Reportagens do setor já haviam registrado reajustes semelhantes nos EUA dias antes do movimento brasileiro, apontando que o custo de um par de 8 GB de RAM com 256 GB de armazenamento subiu de forma acentuada entre o terceiro trimestre de 2025 e o segundo de 2026 — uma alta que, mais cedo ou mais tarde, seria repassada ao consumidor final.
Vale o preço no Brasil?
Não. R$ 2.299 por um intermediário de entrada com especificação de 2025 deixou de fazer sentido competitivo, ainda mais quando o próprio histórico de preço do aparelho mostra que ele valia menos da metade disso há um ano. O problema é estrutural, não vai se resolver sozinho tão cedo, e quem está pesquisando um Galaxy A07 ou A17 agora paga, na prática, o preço de uma categoria acima — sem levar o hardware de uma categoria acima.