
Games ganham etiquetas padronizadas de acessibilidade
Xbox, PlayStation, Nintendo e outros publishers adotaram um sistema comum de 24 etiquetas que mostram, antes da compra, quais recursos de acessibilidade cada jogo tem.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Um selo antes da compra
Xbox, PlayStation, Nintendo e mais oito publishers adotaram um sistema comum de etiquetas para indicar, ainda na página da loja, quais recursos de acessibilidade cada jogo tem. A iniciativa se chama Accessible Games Initiative (AGI), criada pela Entertainment Software Association (ESA), entidade que representa a indústria de games nos Estados Unidos, e apresentada na GDC de março de 2025.
Como funciona na prática
São 24 etiquetas padronizadas, com critério técnico público, cobrindo desde legendas grandes e claras até remapeamento de botões, inversão de analógicos, conversão de texto em fala (e o contrário) no chat, menus narrados e opção de salvar o progresso a qualquer momento. A ideia é resolver um problema antigo: hoje, cada loja e cada jogo descreve acessibilidade do seu próprio jeito, o que obriga o jogador com alguma limitação a caçar informação espalhada — ou simplesmente comprar no escuro e descobrir depois que o jogo não serve.
Nintendo of America, Sony Interactive Entertainment, Microsoft, Electronic Arts e Ubisoft fundaram a iniciativa; depois entraram Amazon Games, Riot Games — dona de League of Legends e Valorant, hoje subsidiária integral da chinesa Tencent —, Square Enix e Warner Bros. Games. A adoção é voluntária, e cada empresa decide o próprio ritmo: a Xbox já migrou totalmente seu sistema de tags para o padrão da AGI desde julho de 2025, enquanto a Ubisoft só começou a aplicar as etiquetas em maio de 2026, começando por Rayman 30th Anniversary Edition.
Por que isso importa pro jogador
Etiqueta de acessibilidade não é frescura — é economia de tempo e dinheiro pra quem depende dela pra saber se vai conseguir jogar. O ponto fraco, por enquanto, é a falta de prazo: sem uma data única de adoção obrigatória, o sistema pode demorar anos até cobrir o catálogo inteiro, e cada loja segue livre pra aplicar (ou não) as etiquetas no próprio ritmo. Até lá, quem depende desses recursos continua na dependência da boa vontade de cada publisher.